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Peleguismo: não podemos aceitar em nenhum lugar!

Alexandre Magnus Melo, analista judiciário do TRT3 de Juiz de Fora e ex-coordenador do Sitraemg
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Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.


O debate não é economicidade, mas a verdadeira representação classista.

O pior defeito de um sindicato ou de uma federação é o peleguismo.

Uma entidade sindical nasce para representar, defender e lutar pelos interesses da categoria. Sua razão de existir é enfrentar injustiças, pressionar os empregadores, mobilizar a base e conquistar direitos. Quando abandona esse papel, perde sua essência.

O peleguismo é, talvez, o maior inimigo do movimento sindical. É quando a entidade passa a priorizar a boa convivência com a administração em detrimento da defesa firme dos trabalhadores. É quando o diálogo substitui a mobilização, a acomodação toma o lugar da luta e o silêncio prevalece diante dos ataques aos direitos da categoria.

Nenhuma categoria conquista valorização apenas com reuniões, notas ou promessas. As maiores vitórias da história do movimento sindical nasceram da organização, da coragem e da disposição para enfrentar os momentos difíceis.

Um sindicato ou uma federação podem cometer erros administrativos, adotar estratégias equivocadas ou enfrentar derrotas. Tudo isso pode ser corrigido. Mas quando se instala o peleguismo, a entidade deixa de ser instrumento de transformação e passa a ser apenas uma espectadora da perda de direitos.

Quem representa trabalhadores não pode ter medo do conflito quando ele é necessário. Não pode se conformar com a estagnação salarial, com o descumprimento de compromissos ou com a ausência de políticas de valorização da categoria.

É justamente por isso que o trabalhador consciente e politizado não mede a qualidade de sua entidade pelo valor da mensalidade sindical. Ele sabe que essa contribuição não é uma despesa, mas um investimento coletivo. Quem compreende o verdadeiro papel de um sindicato não busca economizar alguns reais na mensalidade; busca uma entidade capaz de transformar essa contribuição em mobilização, pressão política, conquistas concretas e valorização da carreira.

O que realmente importa para a categoria não é pagar menos, mas receber mais em retorno. Retorno em lutas, em greves quando necessárias, em mobilizações, em negociações firmes, em defesa intransigente dos direitos e em resultados efetivos. Uma entidade combativa gera um retorno infinitamente superior ao valor da contribuição mensal. Já uma entidade omissa ou pelega pode custar muito mais caro, pois sua inércia se traduz em anos de perdas salariais, direitos enfraquecidos e carreiras desvalorizadas.

A função de uma entidade sindical não é agradar governos ou administrações. Sua missão é defender, com independência, coragem e firmeza, aqueles que a sustentam: seus filiados e toda a categoria.

Sem independência, não há representatividade. Sem mobilização, não há conquistas. Sem coragem, não há avanços. E onde há peleguismo, inevitavelmente falta aquilo que justifica a própria existência de um sindicato ou de uma federação: a luta em defesa dos trabalhadores.

Alexandre Magnus Melo – Analista judiciário do TRT3 de Juiz de Fora e ex-coordenador do Sitraemg

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