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A insatisfação é crescente e real? A Federação faz sua autocrítica?

Artigo assinado por 59 filiados(as) do Sitraemg
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Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.


Em pleno século XXI, a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) do Sitraemg não surgiu por acaso. Ela foi convocada a partir de um abaixo-assinado subscrito por centenas de filiados insatisfeitos com a atuação da Federação, diante da crescente desvalorização salarial da categoria e da ausência de enfrentamento efetivo em defesa de nossas principais bandeiras, como a reestruturação da carreira e a implementação da data-base.

A reflexão e o debate são necessários e urgentes. As perguntas que precisam ser respondidas são simples:

Vale a pena o Sitraemg continuar destinando mais de R$ 1 milhão por ano em contribuições para uma Federação que, na avaliação de muitos servidores, não tem correspondido às expectativas da categoria?

Vale a pena o Sitraemg continuar investindo milhões de reais em plenárias e congressos cujas principais deliberações acabam sendo apreciadas apenas nos últimos dias, sem que se convertam em lutas reais, concretas e efetivas?

Vale a pena continuarmos financiando uma Federação que, segundo críticos de sua atuação, rejeitou, em suas instâncias deliberativas, a deflagração de duas greves em defesa das principais reivindicações da categoria?

Vale a pena permanecermos vinculados a uma direção federativa cujos dirigentes, segundo a avaliação de parte da categoria, priorizaram proteger o governo — nosso patrão institucional — em vez de mobilizar a categoria pela derrubada do Veto nº 26 durante a greve de 2015?

Vale a pena integrar uma Federação cujo grupo majoritário vetou politicamente a participação do coordenador-geral do Sitraemg em reunião com o presidente do STF?

Vale a pena continuar investindo recursos em uma Federação que deposita suas expectativas em um Fórum Permanente de Carreira, criado em julho de 2020, e que, até o momento, não apresentou resultados concretos capazes de atender às principais reivindicações da categoria?

Vale a pena acreditar que o PL nº 1.893/2026, que trata da negociação coletiva no serviço público, resolverá nossos problemas se, na visão de muitos servidores, seus dirigentes permanecem mais próximos do patrão do que da própria categoria?

Por que vários sindicatos já se desfiliaram da Fenajufe, como ocorreu com o SINDJUF/SE, de Sergipe?

Com as ferramentas tecnológicas atualmente disponíveis, por que a Federação não realiza, de forma gratuita, um plebiscito nacional virtual para consultar diretamente os servidores do Poder Judiciário da União sobre a deflagração de uma greve por prazo indeterminado em defesa das duas principais pautas: reestruturação da carreira e implementação da data-base?

Por que nossos colegas dos Tribunais de Justiça, representados pela Fenajud, avançaram mais do que nós quando o assunto é carreira e data-base?

Recentemente, nos meses de maio e junho de 2026, o Sitraemg, sem qualquer apoio nacional, conseguiu realizar duas reuniões importantes e estratégicas com a Diretoria-Geral do STF e com a Presidência do TST para defender as pautas da categoria.

Diante disso, não seria mais vantajoso ao Sitraemg investir mais de R$ 100 mil por mês na manutenção de um gabinete permanente de articulação e defesa institucional em Brasília, acompanhando diretamente nossos projetos junto aos ministros, conselheiros e parlamentares?

Apesar de todas essas perguntas, um fato parece evidente: muitos servidores, em todo o Brasil, demonstram cansaço e descrença em relação à Federação. Avaliam que hoje não existe uma organização nacional verdadeiramente independente de governos e partidos, suficientemente forte para liderar a luta por melhores salários, pela valorização da carreira e pela implementação da data-base.

Enquanto isso, nosso poder de compra continua se deteriorando. Como se não bastasse, no último Congrejufe sequer foi aprovado um calendário nacional de mobilização compatível com a gravidade dos desafios enfrentados pela categoria.

É verdade também que existem bilhões de reais de sobras orçamentárias na rubrica de pessoal do Poder Judiciário da União? Se isso for correto, por que permanecemos aguardando, praticamente inertes, os resultados do Grupo de Trabalho sobre o regime remuneratório da magistratura, criado pela Portaria Conjunta CNJ/CNMP nº 3/2026?

Por que a Federação também não leva à grande mídia televisiva o debate sobre a política remuneratória e o tratamento dispensado aos servidores do Poder Judiciário da União?

Técnicos e analistas, juntos e no mesmo barco, assistem, ano após ano, à crescente desvalorização de suas carreiras e de seus salários. Por que não existe uma mobilização nacional proporcional à gravidade desse cenário?

É verdade que dirigentes eleitos para representar os servidores na Fenajufe ocupam cargos de confiança no próprio governo, nosso patrão institucional?

Caso isso ocorra, essa situação pode suscitar questionamentos acerca da indispensável independência política e sindical que deve orientar qualquer entidade representativa.

Independentemente da posição de cada filiado — favorável ou contrária à permanência do Sitraemg na Fenajufe — e qualquer que seja o resultado da AGE de 4 de julho, uma conclusão parece inevitável: os filiados do Sitraemg demonstram maturidade política ao promover um debate franco, democrático e necessário sobre os rumos da representação nacional, reconhecendo que existem críticas relevantes à condução adotada pela Federação ao longo das últimas duas décadas.

Diante desse cenário de profunda insatisfação e do que muitos consideram uma representação nacional insuficiente para enfrentar os desafios atuais da categoria, compartilhamos estas reflexões com a base mineira e com todos os servidores do Poder Judiciário da União.

Por fim, adiantamos que, quando nossa Federação organizar uma verdadeira GREVE NACIONAL em defesa da REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA, da DATA-BASE e da valorização dos servidores do Poder Judiciário da União, continuaremos ao lado da categoria, nas trincheiras da luta, defendendo os servidores, como sempre fizemos e como continuaremos fazendo.

ASSINAM OS FILIADOS DO SITRAEMG ABAIXO:

  • Alexandre Magnus Melo Martins
  • Tiago Barros de Albuquerque
  • Leonardo Nunes Pereira
  • Ronne Herbert Cruz
  • Allyson Júlio dos Santos
  • Gustavo Maia Curcio
  • Geraldo de Oliveira Pereira
  • Kátia Vieira de Oliveira
  • Daniel Silva de Oliveira
  • Ciro José Santana
  • Virgínia Mara Canabrava Paiva
  • Rodrigo Maciel de Sá Gurgel Bani
  • Pamella de Araújo Almeida
  • Patrícia Novaes Banhato
  • Janaína de Almeida Moreira
  • Miriam Bernadete Diniz
  • Nícia Maria Ferraz Pimentel
  • Márcia Regina Fontebassi
  • Mayck Sathler Bento de Castro
  • Anderson Lima de Oliveira
  • Dalva Emilia da Cunha
  • Mary de Lourdes Faria Pereira Liquer
  • Márcia Cruz Ribeiro
  • Bruna Bandeira de Medeiros
  • Miriam Loeffler Vidal
  • Ruth Maria Pereira da Silva
  • Léa Augusta Da Silva
  • Andrea Christina Mendonça
  • Robson Bastazini Pontin
  • Maria de Fátima Oliveira Miranda
  • Adimar Damasceno Breder
  • Alex Alves de Oliveira
  • Célio Silvio Tavares
  • Celso Rodrigues dos Reis
  • Gustavo Maia Curcio
  • Jamaica Teixeira Costa
  • Isis Carla Negraes
  • Thiago Ferreira Coelho
  • Carlos Wagner Melo Franco
  • Ana Maria Fernandes de Araújo
  • Solange Freitas Kierulff
  • Joana D’Arc Carvalho Guimarães
  • Luciana freitas de oliveira
  • Fabio Oliveira Amaral
  • Cristina Pedroso de Mattos
  • Hellen Giotti Ladeira de Andrade
  • Adão Matos de Oliveira
  • Sandro Luís Pacheco
  • Ilson Carlos Ferreira Lisboa
  • Marcelino Kelmer Pereira
  • Rodrigo Pasqua de Oliveira Balbino
  • Carlos Nazareno da Silva Coutinho
  • Claudione Mendes Nogueira
  • Rosana Romano Ferrari
  • Thiago Nascimento de Andrade
  • Maria Gorete de Paula Amaro
  • Érika Goulart Santos
  • Isabela Santana Pizarro Silveira
  • Marlos Andreucci Itaborahy
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