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Eleições Sitraemg 2026: A miragem da unidade – “entre o encastelamento de líderes e a segregação de cargos”

Fernando Neves, coordenador-geral do Sitraemg (gestão 2023-2026), servidor do TRE-MG há 30 anos
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Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.


As eleições para o triênio 2026-2029 do Sitraemg não são apenas uma disputa de nomes, mas um teste de sobrevivência para a unidade da categoria. O que vemos nas chapas inscritas, contudo, é um cenário de “apartheid funcional” disfarçado de democracia, que ignora a matemática da base e a ética da renovação necessária.

Pela amostra da votação ocorrida para Comissão Eleitoral 2026 é possível tirar diversas conclusões. Seguem algumas delas. Há muitas outras que merecem consideração em momento oportuno.

1. A armadilha da segregação: “Técnico vota em Técnico, Analista em Analista”

O sintoma mais grave do adoecimento da nossa unidade é o indicativo perigoso de que Técnico deve votar somente em Técnico e Analista somente em Analista. Essa mentalidade de “voto segmentado” é o veneno que mata o conceito de categoria única. Ao incentivarem essa divisão, as lideranças transformam o sindicato em um campo de batalha corporativista, onde o objetivo não é o bem comum, mas a hegemonia de um cargo sobre o outro.

2. A ilusão das brigas internas e a realidade do STF

Existe uma profunda falta de maturidade e consciência política em ambos os cargos técnicos e analistas com e sem especialidade. Enquanto a categoria se digladia por questões menores e corporativismos estreitos, perde-se de vista o cenário macro. O resultado dessa “guerra fratricida” é previsível: ao final, o STF apresenta uma proposta de reestruturação de carreira que não contempla absolutamente nada do que estava sendo disputado nas bases. Brigamos pelas migalhas enquanto a cúpula decide o destino da nossa vida funcional de forma unilateral, justamente porque não nos apresentamos como uma unidade real e imbatível.

3. O vício da perpetuação e o papel da experiência

A experiência dos dirigentes mais antigos é, sem dúvida, um patrimônio valioso para a formação e tutoria de novos quadros, mas jamais deve ser utilizada como instrumento para manipular ou sufocar o surgimento de novas lideranças. O sindicato não tem dono; ele pertence ao fluxo vivo dos servidores e não pode ser refém de biografias que se recusam a dar passagem aos que chegam, perpetuando um controle político infinito e irresponsável.

A renovação é a seiva de qualquer instituição democrática. É alarmante notar ainda a presença de candidatos que se confundem com a própria estrutura do sindicato, acumulando gestões consecutivas. Esse “encastelamento” asfixia novas lideranças e transforma a entidade em um espaço de permanência pessoal, distanciando a cúpula da realidade das bases que se renovam a cada gestão.

4. O desequilíbrio das minorias e a miopia da representação

Se de um lado há o vício da permanência, do outro há o erro da desproporcionalidade. Quando se apresenta com um número excessivo de representantes de um determinado cargo numericamente minoritário em sua composição embora respeitáveis em uma base de mais de 7 mil filiados. Ao sobrecarregar uma especialidade específica, ignora-se a massa crítica da maioria que opera o cotidiano dos tribunais, criando uma diretoria que nasce com a visão distorcida pela lupa de um segmento minoritário.

5. A consciência de classe: valorizar o Técnico é fortalecer o Analista

É fundamental que Analistas e Técnicos despertem para uma verdade inafastável: não existe carreira forte com uma base fragilizada. Os Técnicos Judiciários (incluindo suas especialidades) bem como os Analistas Judiciários (incluindo suas especialidades) são o motor do PJU muito além da Magistratura que tem sede pelo orçamento que é um só. Por isso mesmo as remunerações vergonhosamente defasadas frente à importância do trabalho que é desenvolvido deve nos levar à consciência de que é preciso lutar prioritariamente pela valorização da carreira como um todo, mas inegavelmente pela que tem mais defasagem, e isso não é caridade, é estratégia de sobrevivência para todo o conjunto do Judiciário.

6. O perigo do esvaziamento sindical

Se a categoria não amadurecer e não buscar o entendimento entre cargos diversos, o destino é trágico: o esvaziamento da entidade sindical. Sem um sindicato que de fato una a todos, os servidores buscarão abrigo em associações de cargos específicos. Isso pulveriza a força política, facilita o corte de direitos pelo governo e transforma o PJU em um conjunto de nichos isolados e fracos.

7. A Fenajufe: entre a necessidade de unidade e a falha democrática

Neste cenário de “nós contra eles”, o papel da Fenajufe seria o nosso porto seguro contra a fragmentação em associações de nicho. No entanto, é preciso criticar o fato de que a nossa querida Federação não tem cumprido seu papel adequadamente. Ao falhar na promoção de uma participação verdadeiramente democrática e inclusiva de todos os segmentos, a Fenajufe acaba por aprofundar o sentimento de isolamento das bases, deixando de ser o elo de união para se tornar, por vezes, um espaço de distanciamento decisório.

8. O discurso público vs. a trama de bastidor

Por fim, é preciso denunciar a hipocrisia das lideranças que sobem ao palco para pregar a “unidade”, mas que, nas sombras dos bastidores, tramam a divisão da categoria para manter seus pequenos feudos de poder. Líderes que estimulam o “nós contra eles” entre cargos apenas para vencer uma eleição estão assinando a certidão de óbito do Sitraemg.

A categoria precisa de um sindicato que seja o espelho de sua base, politicamente renovado e eticamente unificado. Fora disso, teremos apenas uma vitória de chapa, mas uma derrota histórica para a categoria.

Artigo do Coordenador-geral Fernando Neves Oliveira gestão 2023-2026, servidor do TRE-MG há 30 anos

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