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Os números do Orçamento da União para 2026 deixam evidente uma realidade que a categoria precisa enxergar com clareza: há espaço orçamentário para valorização concreta dos servidores do Poder Judiciário da União. O problema central não é ausência de recursos. O problema é ausência de pressão política organizada em nível nacional.
A história recente do PJU comprova isso.
Analistas e técnicos judiciários viveram seu maior ciclo de valorização salarial justamente após a histórica greve nacional de 2015/2016, construída com forte mobilização de base e intensa pressão institucional. Daquele movimento nasceu o PL 2648/2015, posteriormente transformado na Lei nº 13.317/2016, sancionada em julho de 2016, garantindo reajuste acumulado de aproximadamente 41,47% até julho de 2019.
Nada caiu do céu.
Nada veio por benevolência da Administração.
Nada aconteceu sem greve.
Foi a capacidade de paralisação nacional da categoria que obrigou o Congresso e o Supremo Tribunal Federal a reconhecerem a necessidade de recomposição salarial dos servidores do PJU.
Agora, em 2026, novamente temos uma janela histórica.
Os dados da proposta orçamentária mostram que o Poder Judiciário da União terá crescimento de aproximadamente R$ 7,9 bilhões em relação ao orçamento anterior, um aumento de 13,2%.
Mais importante ainda: R$ 4,8 bilhões desse crescimento estão concentrados justamente na rubrica “Pessoal e Encargos Sociais”, ou seja, no espaço orçamentário destinado à remuneração, estrutura de carreira, aposentadorias, gratificações e demais despesas diretamente relacionadas aos servidores.
Isso desmonta completamente qualquer narrativa de impossibilidade financeira.
Os próprios números demonstram que:
- a proposta de reajuste linear de 8% a partir de julho de 2026 consumiria cerca de R$ 1,4 bilhão;
- isso representa menos de 30% do crescimento previsto para “Pessoal e Encargos Sociais”;
- mesmo que os 8% fossem implementados já em janeiro de 2026, o impacto anual seria de aproximadamente R$ 2,9 bilhões, ainda inferior a 60% da expansão orçamentária disponível para a rubrica.
Ou seja: há margem real para avançar muito além do reajuste linear de 8% em julho.
Existe espaço para:
- recomposição salarial efetiva;
- valorização das carreiras;
- reestruturação do nosso sonhado plano;
- fortalecimento dos técnicos e analistas;
- correção de distorções históricas;
- políticas permanentes de valorização.
E justamente por isso o debate político precisa ser feito com franqueza.
Se a categoria não ocupar esse espaço, outros ocuparão.
Historicamente, quando os servidores não constroem mobilização forte, organizada e nacional, os recursos acabam sendo absorvidos prioritariamente pelas carreiras da magistratura e pelos altos cargos do sistema de Justiça.
O orçamento é também um espaço de disputa política.
E disputa política sem mobilização organizada tende a favorecer quem já possui maior influência institucional.
Por isso, causa preocupação a ausência de uma construção nacional mais firme por parte da Fenajufe diante deste cenário extremamente favorável.
A Federação não pode atuar apenas como observadora do processo.
A categoria precisa de:
- calendário nacional de mobilização;
- assembleias unificadas;
- paralisações progressivas;
- pressão no STF e no Congresso;
- articulação coordenada entre os 23 sindicatos filiados;
- construção séria de uma greve nacional, nos moldes da histórica mobilização de 2015/2016.
Foi a greve que garantiu a Lei 13.317/2016.
E somente uma nova mobilização forte poderá impedir que mais uma oportunidade histórica seja desperdiçada.
A realidade orçamentária demonstra que:
- não estamos discutindo falta de dinheiro;
- estamos discutindo prioridade política.
Os servidores do PJU sustentam diariamente a estrutura da Justiça brasileira. São eles que fazem a máquina funcionar. São eles que garantem produtividade recorde, virtualização, cumprimento de metas e funcionamento permanente dos tribunais.
Não é razoável que exista crescimento bilionário do orçamento sem retorno proporcional para técnicos e analistas.
A categoria precisa compreender que: sem mobilização nacional efetiva, não haverá conquista estrutural relevante.
A Fenajufe precisa assumir protagonismo, organizar a base e liderar um movimento nacional à altura do momento histórico.
Porque orçamento existe.
Espaço fiscal existe.
Recursos existem.
O que falta é transformar indignação em mobilização coletiva.
Com dados e análise técnica do Especialista Orçamentário do Sitraemg Dr. Jean Peres (leia nota completa: https://sitraemg.org.br/sitremg-comprova-orcamento-com-espaco-para-antecipacao-do-reajuste-linear-e-implementacao-da-sobreposicao-para-os-tecnicos-judiciarios-ja-em-janeiro-2026/)
Alexandre Magnus Melo Martins (alexmm@trt3.jus.br)
Analista Judiciário – TRT3 Juiz de Fora
David Ernesto Landau Rubbo (rubbo.david@gmail.com)
Técnico Judiciário – TRT3 – Belo Horizonte
Maria Gorete de Paula Amaro (amaromariagoretedepaula@gmail.com)
Técnica Judiciária aposentada – TRT3 – Juiz de Fora
Kátia Vieira de Oliveira (lotuskatia@yahoo.com.br)
Técnico Judiciário – TRT3 – 1ª VT – Juiz de Fora


