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Injustiça na Justiça – poucos com muito e muitos com pouco

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Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.


Somos contra a GAACTA e outras gratificações similares. E dizemos isso com absoluta tranquilidade: não porque somos contra a valorização dos servidores, mas justamente porque defendemos uma valorização que alcance toda a categoria.

O Judiciário não funciona graças ao trabalho de poucos. A Justiça só entrega sua prestação jurisdicional porque existe um conjunto de servidores — técnicos, analistas, oficiais, policiais, chefias e tantos outros profissionais — trabalhando diariamente para que os processos tramitem, as decisões sejam cumpridas e o cidadão tenha acesso à Justiça.

Por isso, não concordamos com a criação de uma gratificação que concentra recursos em um grupo restrito de servidores.

E não acreditem que iremos conseguir estender que essa gratificação seja estendida para todos os servidores (ativa e aposentados), pois não vamos conseguir …

O Ato CSJT.GP.SG.SEJUR nº 95/2026 institui a GAACTA para quem exerce cargos em comissão CJ-1, CJ-2, CJ-3 e CJ-4, estabelecendo uma gratificação de 15% sobre a remuneração. Para os CJ-4, há ainda a limitação de três beneficiários por Tribunal.

E aqui está o problema central: não podemos transformar a valorização do serviço público em uma política de privilégios para poucos.

Somos também contra quaisquer gratificações ou vantagens que aprofundem a distância entre servidores da ativa e nossos aposentados.

Aliás, todos nós da ativa seremos aposentados de amanhã!

O próprio ato deixa claro que a GAACTA não se incorpora aos proventos e não constitui base para fins previdenciários.

Isso significa que estamos diante de mais uma parcela remuneratória que não alcança nossos aposentados. Ou melhor, é uma gratificação que quebra a nossa paridade.

E não podemos aceitar que quem dedicou décadas ao Judiciário seja colocado de lado justamente no momento em que mais precisa de valorização.

Sempre defendemos que todo o trabalho realizado no Judiciário é complexo, relevante e indispensável. É muito difícil explicar para um servidor que sua atividade não merece valorização enquanto outra atividade, por estar vinculada a determinado cargo em comissão, passa a receber uma gratificação específica.

Não é essa a carreira que queremos.

Não é essa a valorização que nossa categoria merece.

O foco precisa ser outro. Luta nacional!

Enquanto discutimos mais um penduricalho para poucos, temos problemas estruturais que atingem milhares de servidores e
que continuam sem solução.

Precisamos concentrar nossa força em quatro grandes pautas:

  1. A aprovação da nossa reestruturação de carreira, que está parada no STF desde dezembro de 2023.
  2. A derrubada do Veto 45/26, também fundamental para avançarmos na valorização da nossa carreira.
  3. A nossa data-base, porque servidor público também tem direito à recomposição de suas perdas e à preservação de seu poder de compra como quaisquer trabalhadores.
  4. O fim da taxação – ou verdadeiro confisco previdenciário – dos nossos aposentados, que já contribuíram durante toda a vida funcional e não podem continuar sendo penalizados.

Essas são, para nós, as quatro prioridades da nossa categoria.

Não precisamos mudar o foco.

Não precisamos aceitar uma política de pequenas vantagens para alguns enquanto a maioria continua enfrentando defasagem salarial, carreira desvalorizada e aposentados sendo taxados.

Precisamos, sim, de reestruturação, valorização, data-base, respeito aos aposentados e uma política remuneratória que contemple o conjunto dos servidores.

Não somos contra gratificação. Somos contra privilégios.
Valorizar quem ocupa função de responsabilidade é importante. Reconhecer o trabalho dos servidores também é necessário.

Mas a resposta para os problemas do PJU não pode ser a criação permanente de novos penduricalhos.
Quando a solução é uma gratificação para poucos, enquanto os problemas estruturais permanecem para todos, alguma coisa está errada.

O que precisamos é de uma política de carreira que valorize todos os servidores do PJU, respeite ativos e aposentados e enfrente de verdade a defasagem acumulada ao longo dos anos.

Não podemos permitir que a categoria seja dividida em pequenos grupos para receber pequenas vantagens enquanto as grandes pautas continuam paradas.

Chocolate para poucos não resolve a fome de justiça de toda a categoria.

O PJU precisa de valorização para todos, carreira estruturada, data-base, respeito aos aposentados e recuperação das perdas salariais.

É hora de mudar o foco.

Menos penduricalhos para poucos.

Mais direitos para todos.

Essa é a luta que realmente importa.

Assinam este artigo os filiados abaixo relacionados:

  • Alexandre Magnus Melo Martins
  • Edvano Pinheiro de Lima
  • Guilherme Augusto Costa Machado
  • Joana d’Arc Carvalho Guimarães
  • Luiz Otávio Moreira Fernandinho
  • Kátia Vieira de Oliveira
  • Thiago Nascimento de Andrade
  • Sandra Ferreira
  • Thiago Ferreira Coelho
  • Beatriz Leite de Almeida
  • Virgínia Mara Canabrava Paiva
  • Márcia Cruz Ribeiro
  • Deise Costa Paiva
  • Rita de Cássia Mendes
  • Isis Carla Negraes
  • Ruth Maria Pereira da Silva
  • Simônica de Castro
  • Rosani Maria Afonso Figueiredo Nascimento
  • Patrícia Novaes Banhato
  • Maria Gorete de Paula Amaro
  • Domingos Sávio Barbosa Dias
  • Márcia Regina Fontebassi
  • Edna Maria de Alcântara
  • Cid Olímpio de Souza
  • Elke Moreira Mansur da Silva
  • Maria da Consolação Vieira Ferreira
  • Ana Maria Fernandes de Araújo
  • Lea Augusta da Silva
  • Eder Emilio Junqueira Kegele
  • Águeda Viana Araujo
  • Émerson do Valle Moreira
  • Paulo Halfeld Furtado de Mendonça
  • Renzzo Roberto Bicalho Lataro
  • Maria de Fátima Teodoro Dias
  • Valéria Vieira Salles
  • Mary de Lourdes Faria Peteira
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