O programa A Voz do Servidor de 30 de julho falou sobre os avanços e desafios rumo à igualdade racial no serviço público brasileiro.
Também foi debatido o trabalho do sindicato que inclui a reativação dos núcleos temáticos da categoria para fortalecer a organização dos servidores e as mobilizações pela reestruturação da carreira do PJU e pela derrubada do Veto 45/2025.
No estúdio a servidora do TRE/MG, Luzia Ferreira, que também atua como professora de História no Cursinho Popular Educafro, mantido pelo Colégio Santo Antônio, deu lições de letramento racial e inclusão de verdade.
Entrevistada pelo coordenador Evandro Antônio Silva, a filiada reconheceu avanços desde a aprovação da Lei nº 12.990/2014, que reservou vagas em concursos públicos federais para candidatos pretos e pardos.
“O judiciário, o executivo e o legislativo estão mais diversos. Hoje se vê servidores negros concursados em cargos próprios do judiciário”, afirmou a técnica do judiciário que por muito tempo foi a única negra do setor.
Na avaliação de Luzia, a justiça eleitoral tem recebido servidores negros vindos das cotas, mas o judiciário ainda precisa de política de equidade de verdade em relação aos cargos de chefia, que ainda são majoritariamente de homens brancos. ”Promover a igualdade é mais do que garantir acesso à vaga e incluir a imagem dos pretos no Mês da Consciência Negra”, alertou.
Evandro apresentou dados do Conselho Nacional de Justiça que confirmam que, no quadro geral de servidores administrativos do Judiciário, a proporção de pessoas negras (homens e mulheres somados) fica em torno de 27,1%, com expressiva concentração subalterna em relação aos cargos de decisão.
Bola dentro, bola fora
O servidor Rubens Goyatá presenteou os ouvintes com mais uma crônica política refinada. Mandou uma Bola Dentro para a atuação da Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo que apura com rigor a relação suspeita e muito próxima de oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo, principalmente coronéis da reserva, com integrantes do PCC. Goyatá também exaltou o Estado brasileiro que tem atuado com firmeza para combater o crime organizado.
Uma “bola fora” foi dirigida às empresas de inteligência artificial, que estão comprando os melhores livros antigos para serem lidos pelos programas de IA, para serem assimilados para treinar as inteligências artificiais e depois estão destruindo esses livros. “Na verdade, eles querem que o público perca a capacidade de raciocinar criticamente sem recorrer à inteligência artificial. Eles querem emburrecer os cidadãos”, afirmou.
Reforço na mobilização
O coordenador Evandro Antônio lembrou que o sindicato levará a Brasília uma caravana com mais de 50 filiados para integrar duas importantes agendas de luta no Congresso Nacional e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de liderar mobilização em Minas Gerais pela reestruturação, derrubada do Verto 45/2025 e Auxílio-Nutrição.
“O Plano de Carreira vigente no PJU foi estruturado em 1966 e não contempla este mundo diversificado, globalizado e digitalizado. O STF tem que mandar, urgentemente, o plano que reestrutura as nossas carreiras para o Congresso Nacional. Isto é Justiça para os servidores da Justiça”, destacou.
Assessoria de Comunicação
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