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A complexidade é de todos. A gratificação não pode ser de poucos. Gaacta para uma minoria, enquanto a carreira espera?

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Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.


A categoria dos servidores do Poder Judiciário da União acompanha há anos o debate sobre a necessidade de uma verdadeira reestruturação da carreira.

Falamos de valorização dos Técnicos e Analistas.

Falamos da atualização das atribuições.

Falamos da perda de atratividade da carreira.

Falamos da necessidade de reconhecer o aumento extraordinário da responsabilidade técnica, administrativa e tecnológica assumida pelos servidores.

Falamos de uma carreira que precisa ser reconstruída para o futuro.

E qual foi a resposta?

A criação de uma gratificação que pode chegar a 22,5% da remuneração, mas destinada exclusivamente a quem ocupa CJ.

O Supremo Tribunal Federal acaba de instituir a GAACTA por meio da Resolução nº 919/2026.

A própria resolução reconhece que houve aumento da complexidade decisória, gerencial, técnica e administrativa do trabalho desenvolvido no Tribunal.

Concordamos.

O trabalho ficou mais complexo.

A responsabilidade aumentou.

A tecnologia transformou completamente o Judiciário.

O processo eletrônico modificou nossas atribuições.

A inteligência artificial está modificando nossas atividades.

A cibersegurança tornou-se estratégica.

A gestão de dados tornou-se essencial.

A prestação jurisdicional exige cada vez mais conhecimento, especialização e responsabilidade.

Mas surge uma pergunta inevitável:

Essa complexidade existe somente para quem tem CJ?

O Técnico e o Analista que mantêm os sistemas funcionando não exercem atividades relevantes e complexas?

O servidor que trabalha com segurança da informação, inteligência artificial, banco de dados, orçamento, contratos, cálculos, processos judiciais, fiscalização, execução, atendimento e gestão administrativa deixou de participar da crescente complexidade reconhecida pelo próprio STF?

E aquele servidor que acumulou décadas de experiência, está no final da carreira e continua carregando diariamente o funcionamento do Judiciário?

Para ele, a GAACTA é:

Zero.

Enquanto isso, no próprio STF, um servidor em final de carreira poderá receber, somente de GAACTA:

Cargo / CJ

GAACTA mensal estimada

Analista C-13 / CJ-1

R$ 4.770,11

Analista C-13 / CJ-2

R$ 5.714,39

Analista C-13 / CJ-3

R$ 6.983,51

Analista C-13 / CJ-4

R$ 8.170,57

E um Técnico Judiciário C-13 poderá receber:

CJ

GAACTA mensal estimada para Técnico C-13

CJ-1

R$ 3.359,28

CJ-2

R$ 4.115,45

CJ-3

R$ 5.102,41

CJ-4

R$ 6.054,33

Não estamos discutindo valores simbólicos.

Estamos falando de milhares de reais todos os meses.

Um Analista C-13 sem CJ, considerando VB + GAJ, recebe aproximadamente R$ 24 mil.

Um Analista C-13 com CJ-4 e GAACTA pode alcançar aproximadamente R$ 44,5 mil, antes de outras vantagens pessoais e sempre submetido ao teto constitucional.

Uma diferença superior a R$ 20 mil mensais.

Para o Técnico C-13, a diferença entre quem não possui CJ e quem possui CJ-4 com GAACTA supera R$ 18 mil por mês.

Não é contra quem recebe.

É contra uma política que divide a carreira.

Não se trata de atacar colegas que exercem funções de direção, chefia ou assessoramento.

Responsabilidades adicionais podem e devem ser reconhecidas.

O problema é outro.

O problema é criar sucessivamente mecanismos de valorização para grupos específicos enquanto a imensa maioria da categoria continua esperando o Plano de Reestruturação da Carreira do PJU.

O problema é reconhecer oficialmente que o trabalho se tornou mais técnico e complexo e, ao mesmo tempo, dizer que esse reconhecimento vale apenas para quem ocupa CJ.

O problema é transformar a valorização da carreira numa pirâmide em que poucos recebem cada vez mais enquanto a base continua esperando.

Quem faz o judiciário funcionar?

Não são apenas Diretores-Gerais.

Não são apenas Secretários.

Não são apenas Assessores.

Não são apenas Chefes de Gabinete.

O Poder Judiciário funciona porque existe uma enorme estrutura formada por milhares de Técnicos e Analistas que todos os dias desempenham atividades essenciais:

Eixo de atuação

Exemplos de atividades

Tecnologia e dados

Fazem sistemas funcionarem, protegem dados, desenvolvem soluções e mantêm infraestrutura.

Processos e prestação jurisdicional

Movimentam processos, produzem informações, executam decisões e realizam cálculos.

Gestão administrativa

Administram contratos, fiscalizam, planejam e organizam atividades estratégicas.

Atendimento e suporte institucional

Atendem magistrados, advogados e cidadãos, sustentando o funcionamento diário do Judiciário.

Sem esse corpo permanente, não existe Poder Judiciário.

A carreira é que tem que ser valorizada como um todo

A categoria vem reivindicando algo muito maior:

O que a categoria reivindica

Por quê

Plano de Reestruturação das Carreiras do PJU Para modernizar atribuições, reconhecer especialização e valorizar a carreira como um todo.
Carreira moderna e atrativa Para reter profissionais qualificados e reduzir a perda de atratividade.
Reconhecimento da experiência Para valorizar servidores que acumulam conhecimento e sustentam diariamente o Judiciário.
Redução de distorções Para evitar que o reconhecimento financeiro seja concedido a todos.

Continua esperando.

Se a complexidade aumentou, ela aumentou para todos.

O próprio STF reconheceu a crescente complexidade técnica e administrativa do trabalho.

Esse reconhecimento precisa chegar à base da carreira.

Se há disponibilidade financeira para pagar até 22,5% da remuneração a determinados ocupantes de CJ, é legítimo que os servidores perguntem:

Qual é o plano para os demais?

Quando virá a reestruturação?

Por que a complexidade técnica do servidor sem CJ vale zero?

Por que os recursos não estão sendo utilizados para uma política que beneficie toda a carreira?

Não queremos nivelar responsabilidades.

Não queremos retirar direitos de ninguém.

Queremos ampliar a valorização.

Defendemos que responsabilidade adicional possa gerar tratamento adicional.

Mas defendemos também um princípio elementar:

A carreira precisa vir primeiro.

Por isso, reivindicamos:

Reivindicação

Objetivo

GAACTA de 15% para todos os servidores do PJU Reconhecer, com ou sem CJ, a crescente complexidade das atividades.
Percentuais superiores para responsabilidades adicionais Manter tratamento diferenciado quando houver responsabilidades extras, com critérios objetivos.
Prioridade absoluta para o Plano Nacional de Reestruturação Garantir que gratificações seletivas não substituam a discussão estrutural da carreira.

Prioridade absoluta para o plano nacional de reestruturação das carreiras do PJU.

Não aceitaremos que gratificações seletivas substituam a discussão sobre a carreira.

Não aceitaremos que a alta complexidade seja reconhecida somente no topo da estrutura administrativa.

Não aceitaremos uma política que amplie permanentemente a distância entre quem possui CJ e quem sustenta diariamente a estrutura permanente do Judiciário.

A complexidade é de todos.

A valorização tem que chegar a todos.

Gaacta para todos.

Reestruturação da carreira já.

Fernando Neves – filiado e ex-coordenador do Sitraemg

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