O Sitraemg começou a semana debatendo o acolhimento e o amparo às vítimas de assédio moral e sexual no serviço público. Durante live realizada nesta segunda-feira, 21 de setembro, Aldair Drumond, idealizador do Instituto Rafaela Drumond, deu um verdadeiro testemunho sobre a urgência de políticas efetivas de proteção à saúde mental do servidor.
A conversa teve a participação das psicólogas Luciana Mara Moreira e Daniela Gontijo, do Departamento de Saúde do Trabalhador e Combate ao Assédio Moral (DSTCAM) do Sitraemg, e a mediação da diretora do sindicato Liana Theodoro.
Na conversa, Aldair contou como retirou da dor pela perda da filha — escrivã da Polícia Civil mineira Rafael Drumond, morta por autoextermínio em 2023, após enfrentar abusos e assédio no ambiente de trabalho — um novo propósito de vida: a criação de leis e de uma rede de acolhimento e proteção à saúde para servidores e trabalhadores vítimas de assédio.
A mobilização incessante do pai, que deixou o trabalho de marinheiro para enfrentar o desafio de denunciar os crimes institucionais que levaram à morte da filha, já coleciona vitórias expressivas.
A criação da Lei Estadual Rafaela Drumond, que estabelece diretrizes para prevenir o assédio e proteger o servidor público estadual, está prestes a virar lei federal. Em pouco mais de dois anos, 13 municípios de Minas Gerais homologaram leis municipais semelhantes, e mais de 30 projetos de lei tramitam em Câmaras Municipais pelo país.
“As pessoas questionam a eficácia de uma lei, mas são elas que colocam a questão do assédio em evidência”, afirma Aldair Drumond.

O legado de Rafaela
Apesar da imensa dor pela perda precoce da filha — aprovada em segundo lugar no concurso público para escrivã e que tinha o sonho de ser delegada —, na fala e nos sentimentos que movem este gigante, a palavra “vingança” não parece ter lugar.
Além de realizar palestras, audiências, entrevistas e parcerias para a criação de leis que protejam servidoras e trabalhadores em todo o país, o Instituto atende vítimas de violência nos ambientes de trabalho em âmbito nacional, oferecendo suporte jurídico e psicológico.
“As vítimas, principalmente policiais, sentem-se seguras em denunciar o seu sofrimento para o Instituto — em especial as mulheres que, quando começam a sofrer assédio, sentem-se sozinhas”, relata o pai de Rafaela.
“Rafaela não é beata ou santa, mas ajuda a salvar vidas através deste trabalho e das leis que aumentam a sensação de segurança para servidores e trabalhadores. Isso me conforta, pois, apesar de tudo, vejo que ela deixou um legado”, acrescenta o ativista.
As psicólogas Luciana Mara Moreira e Daniela Gontijo finalizaram a live destacando que o desfecho trágico do caso de Rafaela “mostra como a rede de apoio faz a diferença”. As representantes do Sitraemg reforçaram que o objetivo do sindicato — nas ações que integram o Setembro Amarelo e no atendimento permanente — é promover a valorização da vida.

Liana agradeceu a disponibilidade de Aldair para a atividade do Sitraemg, destacando a urgência do debate sobre o tema e ressaltando que ter um assediador no ambiente de trabalho é extremamente difícil, pois gera situações de sofrimento que interferem na saúde mental. “E o senhor transformou a sua dor na missão de ajudar outras pessoas que sofrem assédio, e este trabalho merece todo o apoio”, concluiu Liana Theodoro.
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