Ontem (quinta-feira, 16), na Globo Neews, ao comentar a transferência do Ministério da Saúde de Luiz Henrique Mandetta para Nelson Teich e fazer uma observação sobre fala de Bolsonaro, que agora prega a necessidade do fim do confinamento em decorrência da pandemia do coronavírus como medida de proteção dos empregos e dos pobres, a jornalista Eliane Cantanhêde ressaltou que o atual presidente da República nunca incluiu a população mais vulnerável em suas pautas. Isso é fato mesmo. Em vez disso, defendia a liberação de armas, benefícios para as religiões etc.
Devemos parabenizar a imprensa, no geral, pela cobertura que tem dado ao combate ao coronavírus, no Brasil e no mundo, mas não podemos nos esquecer que essa mesma mídia alinha-se totalmente à pauta econômica do governo Bolsonaro. A jornalista da Globo News poderia ter se lembrado também que Bolsonaro, quando deputado federal, votou favoravelmente a todas as propostas que aniquilaram os trabalhadores e o Estado brasileiro. Menos nas Reformas da Previdência então propostas. E não por convicção, mas para se mostrar “do contra”. Porém, agora como ocupante do Palácio do Planalto, defendeu com todas as suas forças a reforma das reformas previdenciárias, que aumentou a contribuição e reduziu drasticamente os valores das aposentadorias, também tornando-as ainda mais distantes.
Fiel a todas as pautas anti-Estado e trabalhadores, o atual presidente da República disse que a Reforma Trabalhista aprovada no governo Temer foi muito tímida. E conseguiu aprovar, nesta semana, a MP 905, de 2019, que institui a Carteira Verde e Amarela e inaugura no país uma espécie de legislação trabalhista “paralela”, que é muito mais destrutiva do ponto de vista trabalhista e com certeza irá substituir, aos poucos, a já capenga legislação vigente, para escravizar ainda mais a classe trabalhadora e enriquecer os abastados empresários inescrupulosos, aumentando e potencializando a desigualdade social no Brasil.
Esse lado de Bolsonaro, Eliane Cantanhêde nem mencionou. Assim como se esqueceu de dizer que o presidente da República está determinado a aprovar, com urgência, as PECs (186, 187 e 189/2029) do Plano “Menos” Brasil e o restante da Reforma Administrativa que encaminhará em breve ao Legislativo, para destruir de vez o serviço público, tão necessário ao país – como se vê agora com a atuação do SUS no combate ao coronavírus -, e os direitos dos servidores públicos. Será a “reforma trabalhista” do serviço público. E tem ainda a ameaça de redução salarial dos servidores por motivo dos gastos do governo com a pandemia. Cantanhêde está de acordo, é claro.
A imprensa critica Bolsonaro, mas mantém resoluto seu apoio à pauta maldita da economia, conduzida pelo ultraliberal Paulo Guedes, e a outros ministros de reputações questionáveis do governo.