Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.
Antes de se posicionar sobre tantas discussões que pairam na sociedade, faz-se necessária uma análise crítica sobre o veículo que lhe informa.
De início, é preciso reconhecer um ponto fundamental: todo veículo de comunicação possui algum grau de viés – político, econômico ou ideológico — e, muitas vezes, opiniões são apresentadas de forma disfarçada como notícias. Além disso, grande parte desses veículos depende de patrocinadores e interesses econômicos que, direta ou indiretamente, influenciam o que é ou não divulgado. Some-se a isso a presença de narrativas enviesadas, especialistas contratados e editoriais alinhados a determinados interesses.
Por exemplo, acerca da discussão sobre o fim da escala 6×1, enquanto canais progressistas enfatizam os benefícios de os trabalhadores desfrutarem de 2 folgas semanais para o convívio familiar, o lazer, o consumo e o ócio criativo, que enriquece e renova o corpo e a alma, os canais defensores do capital repetem os mesmos discursos espalhados desde a abolição da escravatura (1888), ou da criação da CLT (1943), do décimo terceiro salário (1962), que irriga a economia do país no final de cada ano, da redução da jornada de 48 para 44 horas semanais (1988), ou, ainda, da publicação da Lei do Empregado Doméstico (2015).
Para cada conquista da classe trabalhadora, a mídia representante do empresariado espalha o caos, profetizando as demissões, os prejuízos econômicos e o retrocesso social, que, felizmente, jamais ocorreram.
Se o problema do país são as duas folgas por semana, por que não exigir de todos trabalhadores a jornada 6×1? Mas de todos trabalhadores, sem exceção, inclusive dos parlamentares, magistrados, servidores públicos, bancários etc.?!
É curioso porque parece que somente os trabalhadores mais pobres (e com menos folgas semanais) seguram o peso da economia, sem os quais o país não se sustenta?!…
O princípio da igualdade, previsto no artigo 5º da Constituição Federal, ou seja, “Todos são iguais perante a lei”, vale ou não?
Infelizmente, há parlamentar dizendo que o fim da jornada 6×1 ” é uma excrescência ” e que o trabalhador brasileiro precisa ” trabalhar até a exaustão ” (Marco Feliciano – PL-SP) ou que ” Ócio demais faz mal”, “O povo não tem dinheiro. Vai ficar mais exposto. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade?” , questiona Marcos Pereira (Presidente do Republicanos). O empresário e ex-governador Romeu Zema defende que o empregado escolha se deseja as garantias da CLT ou a proposta do empregador.
É prudente que se investigue quem está por trás das informações veiculadas pelos grandes veículos de informação.
Por exemplo, a CNN Brasil tem, como sócio majoritário e fundador, Rubens Menin, também fundador e controlador do Banco Inter, e ainda fundador e presidente do conselho da MRV, a maior construtora da América Latina, sendo que a família é controladora da rádio Itatiaia. Entre 2011 e 2021, relatórios indicaram que 230 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão em obras da MRV. Dá para imaginar a opinião e a torcida da emissora sobre o debate acerca da jornada 6×1?
Por tudo isso, não permita que a sua opinião seja formada antes de analisar a procedência da “informação recebida” por algum veículo, e, sobretudo, de avaliar as opiniões contrárias. Fica a dica.
Liliam de Oliveira Lyrio Stabille, servidora do TRT3 em Uberaba e filiada do Sitraemg


