O programa do Sitraemg A Voz do Servidor dessa quinta-feira, dia 23 de abril, com apresentação do coordenador do sindicato Carlos Nazareno (Cabeça), trouxe duas convidadas para uma conversa sobre cruzou literatura, teatro e reflexão política.
A servidora do TRT3 e filiada do Sitraemg Adriane Garcia conversou sobre seu novo livro “Atlas de Anatomia”. A obra propõe uma leitura do corpo como território de tensão, atravessado por memória, violência e história, rompendo com a ideia de unidade e explorando fragmentos que revelam experiências individuais e coletivas.
A linguagem do livro se constrói a partir de termos anatômicos que, longe de explicar, tensionam os limites do conhecimento sobre o corpo. Cada poema funciona como uma espécie de incisão, expondo marcas e vivências que não cabem em classificações.
Lançamento do livro Atlas de Anatomia
• 25 de abril – Sábado
• A partir de 11 horas
• Bar e Restaurante Feijão Tropeiro – rua Sergipe, 320, Centro, BH (Atrás da Igreja da Boa Viagem)
Confira um poema da obra de Adriane Garcia
TÓRAX
Dentro do peito o mundo ressona
Troco o ar de dentro pelo ar de fora
Troco o ar fora pelo ar de dentro
A caixa tenta proteger mas
O desamor passa por entre as costelas
O coração (não tem jeito)
Foi feito para sofrer
Outro destaque foi a participação da atriz e diretora Helô Gouvêa, que vai estrear a peça Sonhos. O espetáculo parte da trajetória de uma mulher recém-aposentada que revisita memórias e lutas, incluindo a greve das professoras e professores municipais de Belo Horizonte em 1988. A montagem articula passado e presente, transformando lembranças em impulso para a ação em cena.
A dramaturgia é assinada por Helô Gouvêa e Bruna Chiaradia, com direção de Ataídes Braga.
Peça de teatro “Sonhos”
• 25 de abril – sábado
• 19 horas
• Cannibal’s Bar, Av. Carandaí, 761
• Entrada Franca
Bola Dentro, Bola Fora
No quadro Bola Dentro, Bola Fora, o comentarista Rubens Goyatá abordou a Inconfidência Mineira, destacando a construção histórica do personagem Tiradentes. Ele chamou atenção para o próprio termo “inconfidência”, que carrega a ideia de traição do ponto de vista da Coroa portuguesa, e como esse significado foi transformado ao longo do tempo.
Goyatá também analisou símbolos do movimento, como a bandeira de Minas Gerais, explicando a escolha do triângulo vermelho associada à Santíssima Trindade e às revoluções. Outro ponto ressaltado foi o perfil de Tiradentes, descrito como um militar de posição intermediária, com grande circulação social e geográfica, o que contribuiu para sua exposição e posterior condenação.
A análise ainda trouxe reflexões sobre as contradições do movimento, especialmente a manutenção da escravidão, mesmo diante de um discurso de liberdade, evidenciando como interesses econômicos moldaram os limites daquela proposta de independência.
O programa A Voz do Servidor vai ao ar todas as quintas-feiras, às 17 horas, pela Rádio Autêntica Favela FM 106,7.
Assessoria de Comunicação
Sitraemg


