O Programa “A Voz do Servidor” entrou o ano novo debatendo assuntos que estão na ordem do dia e que afetam a vida da população e dos servidores do Judiciário Federal.
Apresentada pelo coordenador do Sitraemg, Carlos Nazareno (Cabeça) a edição de 8 de janeiro teve como convidado o doutor em Economia pelo Cedeplar/UFMG e cofundador do Instituto Economias Weslley Cantelmo.
No estúdio eles debateram o sequestro de Maduro e o futuro da Venezuela, os três anos da tentativa de golpe no Brasil – celebrados por meio de atos pela democracia em todo o país – e a agenda de lutas dos servidores do PJU, em Brasília.
Motivação americana
Cantelmo avaliou o que motiva a intenção de invasão captura do presidente e tutela norte-americana na Venezuela e recuos táticos no discurso de Trump, destacando efeitos negativos para o Brasil e a América Latina nos campos social, geopolítico e econômico.
O economista evitou avaliar o que chama de “personalidades” dos presidentes dos dois países, preferindo destacar motivações políticas estruturais e mecanismos de guerra contemporâneos como a “esfera de influência” que levou à violação de direito internacional e de acordos e instituições internacionais, como a ONU, em casos recentes de uso da força protagonizado pelos governos de Israel e E.U.A.
Para o economista, a motivação política da intervenção capitaneada por Donald Trump na Venezuela é “parte da nova estratégia dos E.U.A de consolidar o poder nas Américas, território chamada pelo governo americano de hemisfério ocidental, ou ‘nosso hemisfério’. “Uma estratégia agressiva para minar a influência econômica da China na América do Sul e controlar – de forma imperial e pela força – os recursos da América Latina,” disse.
“O E.UA usou a força explícita e promoveu o sequestro de um presidente sem se importar com a opinião externa. Essa escalada das provocações e práticas violentas é demonstração de quem vem perdendo algumas esferas de poder”, avalia o economista.
Riscos para o Brasil
Para Cantelmo, não seria tão fácil uma investida americana para desacreditar e atingir o Brasil, como está sendo feito com a Venezuela, mas, noutras searas, é possível prejuízos para o país, como ficar preso a acordos desiguais e a imposição de benefício aos E.UA, por exemplo, forçando preferências de exploração de recursos estratégicos para empresas americanas.
“É preciso estar atentos porque tudo isso pode ser construído, inclusive com lobby do Congresso Nacional. Apesar da retomada de reconstrução nacional pelo atual governo, o Brasil vive desafios enormes, neste contexto mundial complexo que exige soberania. Na realidade, o Brasil precisa se reindustrializar e, para isso, precisamos de acordos que tragam, na prática, investimentos e garantam transferências tecnológicas, coisas que os E.U.A nunca ofereceram ao mundo. O risco é a gente ficar amarrado em acordos institucionais muito restritos junto aos E.U.A e não levarmos a cabo os desafios contemporâneos para o nosso desenvolvimento,” avaliou.
Apresentador e convidado também analisaram a tentativa de golpe no Brasil, em 8 de janeiro de 2023, lembrando que a invasão das sedes dos Três Poderes atingiu não apenas prédios públicos, mas o próprio Estado Democrático de Direito, construído a partir da Constituição de 1988.
Desafios de 2026
Cabeça lembrou que, além da democracia brasileira e mundial, que precisa ser diariamente defendida, as servidoras e os servidores do Judiciário Federal, que garantem, no dia a dia, o funcionamento da Justiça, precisam levar adiante o desafio por respeito aos seus direitos.
“O Sitraemg começa o ano mandando delegação para Brasília, no dia 4 de fevereiro, para fazer parte da mobilização nacional em defesa da reestruturação da carreira dos servidores do Poder Judiciário da União. Também será preciso defender a derrubada do veto parcial ao Projeto de Lei nº 4.750/2025, da recomposição salarial aprovada pelo Congresso Nacional. Vamos para a luta!,” convocou.
O programa “A Voz do Servidor” vai ao ar toda quinta-feira, às 17 horas. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sintonize no rádio 106,7 FM. Em qualquer lugar do mundo, acompanhe pela internet.
Assessoria de Comunicação
Sitraemg


