O segundo turno das eleições presidenciais coloca em disputa projetos distintos para a organização do Estado brasileiro e para o futuro do serviço público. Para os servidores do Poder Judiciário da União (PJU), a escolha envolve questões concretas: remuneração, carreiras, concursos públicos, estabilidade, aposentadorias, condições de trabalho e autonomia das instituições.
O Sitraemg considera fundamental que os servidores analisem os programas de governo, o histórico das candidaturas e as manifestações de seus integrantes antes de decidir o voto. Como entidade representativa da categoria, o sindicato tem o compromisso de informar sobre os possíveis impactos das propostas em debate e contribuir para uma escolha consciente, considerando os direitos dos trabalhadores e a qualidade dos serviços prestados à população.
O respeito à pluralidade de ideias e às divergências políticas faz parte da atuação sindical. Isso, porém, não significa desconsiderar as diferenças entre os projetos apresentados nem os riscos que determinadas medidas podem representar para os servidores e para o conjunto da sociedade.
As diferenças entre os projetos importam
O programa de governo de Flávio Bolsonaro prevê a continuidade da reforma administrativa e uma ampla revisão das normas de gestão pública, além da redução de despesas e estruturas administrativas. Declarações de integrantes de sua equipe econômica também apontam para a discussão de mudanças previdenciárias e trabalhistas e para a possibilidade de substituir servidores que se aposentam por soluções de inteligência artificial.
Essas propostas exigem atenção porque podem afetar a reposição de pessoal, a estabilidade, a estrutura das carreiras e a capacidade de atendimento do Estado. A redução dos quadros sem reposição adequada pode ampliar a sobrecarga de trabalho, comprometer as condições laborais e prejudicar os serviços oferecidos à população.
A experiência do governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, também precisa integrar essa avaliação. Naquele período, os servidores federais passaram por um prolongado intervalo sem reajuste salarial geral, além dos efeitos da reforma da Previdência aprovada em 2019. A possibilidade de retomada de uma agenda semelhante torna necessário examinar com atenção as diretrizes da atual candidatura de Flávio Bolsonaro.
No caso do Judiciário, as preocupações envolvem a valorização das carreiras, a realização de concursos públicos, a preservação das condições de trabalho e a autonomia das instituições. Também merecem atenção as propostas de alteração das competências do Supremo Tribunal Federal e as iniciativas que podem afetar a estrutura do sistema de Justiça, incluindo a Justiça do Trabalho.
O programa de Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, apresenta diretrizes de fortalecimento do Estado, valorização dos serviços públicos e diálogo com os trabalhadores. Durante o atual governo, foram retomados espaços de negociação com o funcionalismo e adotadas iniciativas de recomposição dos quadros públicos. Permanecem, entretanto, reivindicações sem solução, que precisam continuar sendo cobradas.
Para o Sitraemg, reconhecer essas diferenças não significa deixar de apontar as limitações do governo Lula. A categoria tem demandas concretas, como a reestruturação das carreiras do PJU, a valorização remuneratória, a negociação coletiva e a proteção dos direitos de aposentados e pensionistas. O sindicato continuará cobrando medidas efetivas para o atendimento dessas reivindicações, independentemente do resultado eleitoral.
A questão central é avaliar quais condições cada projeto oferece para a defesa desses direitos. De um lado, há a possibilidade de manter canais de diálogo e pressionar pelo avanço das pautas dos servidores, mesmo diante de compromissos ainda não cumpridos. De outro, há propostas de reestruturação do Estado que podem fragilizar os vínculos de trabalho, limitar a reposição de pessoal e criar novos obstáculos à organização coletiva dos trabalhadores.
A defesa do serviço público também diz respeito à população
O funcionamento dos órgãos públicos depende de profissionais qualificados, condições adequadas de trabalho e recursos suficientes para atender às necessidades da sociedade. Medidas que enfraqueçam as carreiras ou reduzam os quadros sem planejamento não afetam apenas os servidores. Podem comprometer o acesso da população à Justiça e a outros serviços essenciais.
A defesa das instituições democráticas também integra esse debate. O respeito ao processo eleitoral, à autonomia dos Poderes e à liberdade de organização sindical são condições para que os trabalhadores possam reivindicar direitos, denunciar problemas e participar da construção das políticas públicas.
Nesse contexto, a análise das candidaturas não pode se limitar a promessas genéricas de eficiência ou redução de despesas. É necessário considerar os efeitos concretos das propostas sobre as condições de trabalho, os direitos sociais e a capacidade do Estado de cumprir suas funções.
Independência sindical e responsabilidade na escolha
O Sitraemg manterá sua independência em relação a governos e administrações. A entidade seguirá cobrando a valorização das carreiras do PJU, a recomposição remuneratória, a realização de concursos, a negociação coletiva e o atendimento das reivindicações dos servidores ativos, aposentados e pensionistas.
A independência sindical, contudo, não impede a análise das consequências de cada projeto político. Ao contrário, a responsabilidade de representar a categoria exige atenção às propostas que podem ampliar ou restringir as condições de defesa dos direitos dos trabalhadores.
Diante dos programas apresentados e dos posicionamentos manifestados durante a campanha, é fundamental considerar não apenas as limitações do governo atual, mas também os riscos associados à alternativa em disputa. A possibilidade de continuar reivindicando avanços e negociando medidas de interesse da categoria é um elemento relevante dessa avaliação.
O Sitraemg convida os servidores a examinar o quadro comparativo abaixo, conhecer as propostas e refletir sobre suas possíveis consequências para as carreiras, as aposentadorias, o funcionamento do Judiciário e os serviços públicos. A decisão de cada eleitor é livre, mas deve considerar o que está em jogo para os trabalhadores e para a sociedade nos próximos quatro anos.
Diretoria Executiva – Gestão 2026-2029



