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Eleições 2026 – O que principais candidaturas propõem em relação ao serviço público e aos servidores?

Veja as propostas dos candidatos à presidência em relação à concurso público, estabilidade, reforma administrativa e a justiça
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Considerando que o futuro do funcionalismo público e a qualidade do atendimento prestado à sociedade dependem diretamente das decisões tomadas no Congresso Nacional e pelo Governo Federal, o Sitraemg monitora os debates dos candidatos para cargos federais (Executivo e Legislativo).

O sindicato acredita que a posição em relação à Reforma Administrativa, aos concursos e à Reforma da Previdência precisa ter peso no momento de escolha dos candidatos. Por isso, a entidade segue em vigilância constante e mobilizada contra as propostas que ameacem os direitos dos servidores, especialmente do Poder Judiciário Federal em Minas Gerais, focando em três pilares fundamentais:

Estabilidade X Reforma Administrativa –  Diferente do que propõem as visões de cunho estritamente fiscalista, a estabilidade do servidor público não é um privilégio, mas uma garantia de Estado. Ela assegura que o trabalhador e a trabalhadora do Judiciário – e dos demais poderes – possam atuar na aplicação da lei de forma imparcial, sem temor de perseguições políticas ou demissões arbitrárias a cada mudança de governo. O sindicato rejeita qualquer tentativa de fragilização dos vínculos de trabalho.

 Concurso público como garantia de impessoalidade – O acesso ao cargo público por meio de concurso é o mecanismo mais democrático e transparente de seleção. Flexibilizar essa exigência abre brechas para o apadrinhamento e o desmonte das carreiras. O Sitraemg defende a realização regular de certames para suprir o déficit de pessoal nos tribunais mineiros, garantindo a eficiência na prestação jurisdicional.

 Previdência justa e respeito aos aposentados – A segurança previdenciária é um direito de quem dedicou a vida ao Estado. O Sitraemg combate veementemente as reformas que transformam a previdência em um sistema punitivo, especialmente as medidas que penalizam servidores aposentados e pensionistas com taxações abusivas.

Vale destacar que já há propostas de Reforma da Previdência sendo apresentadas aos candidatos à Presidência da República que vão além de mudanças pontuais, e lançam a ideia de que é preciso alterar completamente a arquitetura dos sistemas de aposentadorias e benefícios do INSS.

A proposta de reforma coordenada pelo economista Paulo Tafner, e apoiada por Armínio Fraga, unifica o regime dos servidores públicos ao sistema geral, acaba com distinções e propõe mudar as regras do jogo atual e a forma de financiar o sistema (capitalização).

Dentre os candidatos à Presidência, os que apoiam a reforma na Previdência são os mesmos que atacam os concursos públicos e a estabilidade, o enxugamento do Estado.

Sistema de Justiça – O Sitraemg participa do movimento nacional em defesa da Justiça do Trabalho contra qualquer ameaça de extinção ou redução da competência expressa na Constituição (Art. 114 da CF/88). A Carta Magna atribuiu expressamente à Justiça do Trabalho a prerrogativa de julgar todas as ações oriundas da relação de trabalho e representação sindical. Fatiar essa competência traria o risco de esvaziamento da proteção constitucional do trabalho, precarização das condições de emprego e redução do recolhimento de encargos previdenciários e do FGTS.

O sindicato também faz a defesa da Justiça Eleitoral, sistema fundamental para assegurar a soberania popular, a estabilidade democrática e a legitimidade das regras do jogo político. Como ramo especializado do Judiciário, ela garante a realização de pleitos íntegros, a alternância pacífica de poder, o combate à desinformação e a segurança tecnológica que mantém a integridade do sistema de votação eletrônica.

Confira as propostas dos candidatos à Presidência da República 

Candidato Concurso público Reforma da Previdência Reforma Administrativa

Justiça do Trabalho

Justiça Eleitoral
Augusto Cury (Avante) Candidato diz que é preciso interromper os concursos públicos, “digitalizando toda a máquina pública” para economizar recursos públicos. Declarou-se terminantemente contra a realização de nova reforma. Defende uma reforma focada no corte de gastos e na modernização da gestão pública.

 

– Corte de cargos comissionados;

 

– Redução de ministérios: 8 ou 9 pastas;

 

– Adoção de métricas contínuas de desempenho para servidores e uso de Inteligência Artificial.

Não fala em extinção da Justiça do Trabalho, nem de corte drástico de direitos, mas aponta para uma perspectiva de mediação e de desjudicialização. Respeito à Justiça Eleitoral e confiança na segurança das urnas. Propõe o fim da reeleição para cargos executivos.
Luís Inácio Lula da Silva (PT) Defende a recomposição do serviço público federal. O atual governo implementou iniciativas como o Concurso Nacional Unificado (CNU) para selecionar servidores. Propõe diálogo com o funcionalismo e reposição de vagas em áreas essenciais. Não propõe nova reforma, discursa pela manutenção das regras atuais. Adota um discurso de forte oposição às propostas tradicionais de reforma administrativa — especialmente à PEC 32/2020, herdada do governo anterior. Argumenta que tais medidas precarizam o serviço público e ameaçam a estabilidade dos servidores. Defende a força e a competência da Justiça do Trabalho e propõe revogação dos marcos regressivos da atual legislação trabalhista, agravados pela última reforma e o restabelecimento do acesso gratuito a essa justiça especializada. Defende o fortalecimento da democracia, além da segurança, a confiabilidade e a lisura das urnas eletrônicas brasileiras.
Flávio Bolsonaro (PL) O discurso foca na redução de cargos, com um Estado mais enxuto, e priorização de vagas voltadas principalmente para a área de segurança pública. Aliados e coordenadores de sua campanha indicam apoio a uma nova reforma previdenciária na linha da iniciada pelo governo de Jair Bolsonaro, embora o próprio candidato adote cautela pública sobre o tema. Propõe retomar a discussão ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro, com mudanças no funcionamento do Estado e nas carreiras dos servidores. Embora não defenda explicitamente a extinção da Justiça do Trabalho, como seu pai, Jair Bolsonaro, defende a flexibilização das leis trabalhistas e maior espaço para a negociação direta entre patrão e empregado, a substituição da escala 6×1 pela jornada hora a hora alinhando-se a propostas de desregulamentação da economia. Embora diga que vai respeitar o resultado das eleições, frequentemente lança suspeitas sobre as urnas eletrônicas. Fez isso, inclusive em reunião com diplomatas estrangeiros, em julho deste ano, como fez o seu pai (ex-presidente Jair Bolsonaro)  em 2022. Divulgou, inclusive, informação falsa de que as urnas brasileiras tinham mesma origem das fabricadas por empresa venezuelana considerada suspeita pelos EUA.
Renan Santos (Missão) Pretende suspender a maioria das novas seleções públicas. O discurso é conter o desequilíbrio nas contas públicas.

Argumenta que o foco atual do serviço público atrai pessoas interessadas apenas na estabilidade e em “regalias”, em vez de servir à população.

Defende mudanças nas regras da Previdência, incluindo ajustes no tempo de contribuição, na idade mínima e nas regras específicas de algumas categorias. Defende a reformulação das carreiras públicas, mantendo estabilidade e boa remuneração apenas para as chamadas “carreiras de estado” essenciais. Defende a extinção total da Justiça do Trabalho e a migração de todas as demandas trabalhistas para a Justiça Cível. Avalia o sistema eleitoral como funcional e democrático, e que pode servir de inspiração para outros lugares que têm eleições mais lentas.
Romeu Zema (Novo) No discurso prioriza o equilíbrio fiscal por meio da contenção de despesas de pessoal e da redução da estrutura administrativa. É o candidato que defende mais abertamente uma nova Reforma da Previdência, que abranja a União, estados e municípios, com base na expectativa de vida e no aumento no tempo de contribuição para novos entrantes no mercado de trabalho. Defende quatro pilares: privatização, Reforma Administrativa, Reforma Previdenciária e revisão de programas sociais.

O discurso baseia-se na redução drástica do tamanho do Estado e na aplicação de conceitos de gestão empresarial ao setor público.

Propõe a extinção da Justiça do Trabalho e profunda flexibilização da legislação trabalhista. Diz confiar nas urnas eletrônicas e considerar o sistema eleitoral brasileiro seguro, mas defende a adoção de um comprovante impresso para fins de auditoria.
Ronaldo Caiado (PSD) O candidato evita falar claramente sobre o tema, afirmando apenas que “ouvirá especialistas” Diz focar em diretrizes específicas para o empreendedorismo e setores culturais, sem sinalizar uma nova reforma no momento. Afirma que, se eleito, vai trabalhar pelo “resgate” da Reforma Trabalhista

“com coragem”, como etapa indispensável para reequilibrar as contas e melhorar a eficiência do Estado.

Não apresenta nenhuma proposta em relação à Justiça do Trabalho. Mas defende o “resgate” da última reforma trabalhista, ampliando ainda mais a flexibilização da CLT, inclusive da jornada de trabalho. Defende a segurança e a lisura do sistema de votação atual.
Samara Martins (UP) Propõe a realização de concursos públicos regulares. Defende a revogação completa da Emenda Constitucional nº 103, de 2019, como prioridade trabalhista, com o objetivo declarado de devolver a dignidade à classe operária. É contra. Propõe garantir formação continuada e mesas permanentes de negociação, garantia da data-base para os servidores públicos. Consta do programa de governo: fortalecimento da Justiça do Trabalho, garantindo representação de trabalhadores nas instâncias.

Considera a urna confiável e defende a ampliação do seu uso para consultas populares, como plebiscitos sobre temas econômicos e sociais, para aumentar a participação direta da população nas decisões políticas.

Assessoria de Comunicação
Sitraemg

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