Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.
Margarida Barreto, durante mais de duas décadas, percorreu sindicatos por todo o Brasil. Promoveu e participou de centenas de seminários, congressos nacionais e internacionais e mesmo depois de sua partida, em 2022, continua sendo para mim a maior referencia no Combate ao Assédio Moral[1].
Além de diversos livros e artigos publicados no Brasil e América Latina, na internet encontramos, palestras, textos, informações com relação a esta magnifica mulher, gentil e guerreira, médica com doutorado em psicologia social, pioneira junto com Marie France Hirigoyen nos estudos sobre os efeitos do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores, que resultaram o conceito de assédio moral.
Margarida nos deixou fisicamente, mas sua mente, suas ideias, seu ideal e sua luta política por um mundo mais humano continuam. O caráter integro desta baiana arretada, que nunca se rendeu ao capital, sempre usando sua inteligência, seu corpo, sua emoção em prol do ser humano, em prol do bem estar da humanidade. Esta guerreira tem sua chama acesa no DSTCAM Sitraemg, é o nosso farol, nossa orientação e alicerce técnico científico.
Não podemos nunca esquecer o grande ensinamento de Margarida Barreto, de que o terreno fértil para o assédio moral é o projeto neoliberal excludente, onde o que importa é o lucro e não nós, cidadãos. Pois o autoritarismo, o individualismo, a terceirização, a pjotização, o auto empreendedorismo adoece os trabalhadores que estão cada dia mais perto do trabalho análogo ao escravo.
Por tudo isso, a luta dos servidores é justa e as greves são o último recurso da classe trabalhadora na defesa de seus poucos direitos, conquistados com muita luta e mortes ao longo dos séculos de exploração do capital sobre o trabalho.
Recordando o conceito de assédio moral, estudado e analisado pela doutora em psicologia social, Margarida Barreto, referência mundial na conceitualização científica e no enfrentamento sindical ao assédio moral, juntamente com o professor Roberto Heloani.
“Assédio moral é uma conduta abusiva, intencional, frequente e repetida, que ocorre no meio ambiente laboral, cuja causalidade se relaciona com as formas de organizar o trabalho e a cultura organizacional, que visa humilhar e desqualificar um indivíduo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoal e profissional.” (Barreto e Heloani, 2018)
Cada vítima de assédio moral revela o mal estar da organização do trabalho, com colegas de trabalho que também estão adoecidos, mas sobrevivendo e trabalhando a base de remédios, álcool drogas e outras formas de se lidar como o trabalho exaustivo, autoritário, opressivo, de humilhações diárias, algumas explicitas outras finas como o corte de uma navalha. Por isso, o assédio moral é sempre um assunto que envolve o coletivo do trabalho, pois todo assédio laboral é organizacional.
Portanto, lutaremos contra o assédio moral com ética, saber científico e com sindicatos empoderados nessa luta em defesa do oprimido, do assediado e da assediada. Estaremos sempre ao lado da classe trabalhadora, ao lado do mais fraco, mais explorado, mais oprimido na relação capital-trabalho. Sindicato é para lutar, pois juntos somos mais fortes, cada um de nós se fortalece com a solidariedade no combate ao assédio moral.
Para concluir, deixo algumas palavras neste Dia Nacional de Combate ao Assédio Moral, prestando uma justa homenagem a nossa querida Margarida Barreto.
Nós do DSTCAM Sitraemg nos comprometemos a:
- Manter os valores éticos e políticos de Margarida Barreto.
- Divulgar o conhecimento gerado por Margarida Barreto, unificando em um portal fotos vídeos palestras textos, depoimentos de amigos e amigas, colegas de trabalho, pesquisas.
- Combater o assédio moral que esta ligado à organização do trabalho e ao neoliberalismo, lutando contra a perda de direitos dos trabalhadores, a terceirização, a precarização, o desemprego, o falso empreendedorismo, a exploração de corpos e mentes pelo capital.
- Assumir que nosso trabalho é ideológico, que estamos do lado do mais fraco, pois na relação capital/trabalho o trabalhador e a trabalhadora, nós proletários, independente de sexo, raça ou idade somos os explorados, os oprimidos pelo capital, humilhados e ofendidos pelos donos do poder.
- Posicionar politicamente contra o autoritarismo e o abuso de poder.
- Manter a independência de nosso trabalho mental e braçal do capital que a tudo devora, assimila e nos descarta quando quer.
- Lutar pelos direitos do teletrabalhador, pelo direito à desconexão.
- Promover congressos e seminários multidisciplinares sobre assédio moral sem patrocínio de empresas neoliberais e políticos reacionários.
- Defender as teses, e ideias de Margarida Barreto nos congressos, seminários, redes sociais e na imprensa tradicional.
Nosso lema no Combate ao Assédio Moral é
- Prevenir
- Acolher
- Lutar
- Insistir
Não desistir de construir um mundo do trabalho digno e humanizado, uma sociedade mais justa e cidadãos solidários uns com os outros.
Somos mais fortes no coletivo!
Procure conhecer o trabalho que o DSTCAM Sitraemg oferece aos sindicalizados.
Arthur lobato – consultor em saúde do trabalhador no DSTCAM Sitraemg, especialista no combate ao assédio moral no ambiente de trabalho.


