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Liderança, coletividade, unidade… e também o momento de parar

Alexandre Magnus, servidor do TRT3 em Juiz de Fora e coordenador-geral do Sitraemg
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Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.


Em cenários marcados por divergências internas — especialmente em categorias amplas como a dos servidores do PJU — construir unidade não é tarefa simples. Não se trata apenas de alinhar interesses, mas de exercer maturidade política, responsabilidade coletiva e, acima de tudo, clareza de propósito.

Nesse contexto, é importante compreender os diferentes papéis dentro da luta coletiva. Lideranças não são apenas aquelas investidas de cargos formais, mas todos que assumem a responsabilidade de orientar, dialogar e construir caminhos. Liderar é enxergar além do imediato, é transformar conflitos em pontes, é reduzir tensões e apontar saídas possíveis. Ao mesmo tempo, a base — muitas vezes fora dos espaços de decisão — é essencial: suas demandas, inquietações e percepções sustentam e legitimam qualquer projeto coletivo.

Quando a divisão prevalece, todos perdem. A fragmentação enfraquece a capacidade de negociação, compromete conquistas estruturais e aprofunda desigualdades. Por isso, a unidade precisa deixar de ser apenas um discurso e se tornar prática concreta.

Mas é preciso dizer com honestidade: unidade exige concessões.

Em algum momento, será necessário ceder. Não como sinal de fraqueza, mas como demonstração de compromisso com um projeto maior. Insistir em agendas isoladas pode impedir avanços que beneficiariam toda a categoria. Ceder, nesse sentido, é reorganizar prioridades, é compreender que ganhos coletivos sustentáveis exigem visão estratégica.

Hoje, vivemos um cenário em que todos estão perdendo — alguns, ainda mais profundamente — especialmente no campo da valorização e das perdas financeiras. Isso nos aponta, com urgência, para a necessidade de uma reestruturação ampla da carreira, que enfrente distorções, recupere direitos e promova justiça interna.

Mas há também uma outra dimensão que não pode ser ignorada: a dimensão humana.

Chega um momento em que a gente entende que lutar pelos outros também exige aprender a cuidar de si.

Nos últimos anos, tive a honra de caminhar ao lado de tantas pessoas — ajudando, acolhendo, combatendo a opressão, defendendo direitos e buscando melhorias reais para nossos filiados. Foi uma jornada intensa, verdadeira, movida por solidariedade e senso de justiça. Uma experiência linda.

Até que a vida me fez parar.

Passei por uma cirurgia no coração após descobrir que ele estava funcionando com apenas 26% da sua capacidade. Um choque. Um alerta. Um divisor de águas.

Hoje, enxergo isso como um recado claro: não há luta sustentável sem equilíbrio. Não há como sustentar grandes causas se a gente não estiver inteiro.

Sigo acreditando nas mesmas bandeiras. Sigo comprometido com as pessoas e com a valorização da nossa categoria. Mas agora com um novo olhar — mais consciente, mais humano, mais atento aos limites que também fazem parte da nossa existência.

Cuidar de si não é desistir da luta coletiva. É garantir que ela possa continuar.

E eu sigo. Na torcida pela unidade, pela valorização de nossa carreira e por dias melhores para todos nós.

Só que agora, no ritmo certo.

Alexandre Magnus, servidor do TRT3 em Juiz de Fora e coordenador-geral do Sitraemg

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