A privatização da Copasa e a Reforma Administrativa foram os destaques da edição de quinta-feira, 18 de dezembro, do programa “A voz do servidor”. A atração, produzida pelo Sitraemg, vai ao ar todas as quintas-feiras, das 17 às 18 horas, pela rádio Autêntica Favela, FM 106,7, de Belo Horizonte, e pode ser ouvida também pelo aplicativo da emissora no celular.
O entrevistado foi o abalizado gestor da administração pública, sobretudo na área de educação, João Batista dos Mares Guia, que é mineiro de Santa Bárbara, professor de Sociologia da UFMG, ex-deputado estadual, ex-secretário de Educação, Planejamento Urbano e Meio Ambiente de Contagem, ex-secretário estadual de Educação e coordenador da campanha pelas Diretas Já! em Minas Gerais. A apresentação do programa ficou por conta dos coordenadores do Sitraemg Carlos Cabeça e Joana D’Arc Guimarães.

“A privatização da Copasa é um fracasso retumbante”, disse Mares Guia, referindo-se à autorização ao governo de Minas para venda da companhia, aprovada pela Assembleia Legislativa no dia anterior. Afirmou ainda que a alegação do governo Romeu Zema de que é necessário privatizar a estatal porque ela é economicamente deficitária não passa de mero discurso “ideológico”.
Segundo o entrevistado, mesmo com o atual governo adotando um modelo de gestão neoliberal também para as empresas públicas, ainda assim a Copasa, a Cemig e outras geram muito lucro. O problema é que todo esse superávit é destinado ao pagamento dos salários dos altos executivos e dos dividendos aos acionistas.

Para ele, a água, como um bem natural e setor estratégico, deve ser gerida pelo estado. Diferentemente do que faz o atual governo mineiro, que se limita apenas a “vender” a água que brota das nascentes, a empresa deveria investir na preservação das nascentes e no tratamento químico do esgoto sanitário, para, depois sim, vender a água para a população. Do jeito que está sendo feito, o que se vê é o esgotamento dos mananciais, enriquecendo dos executivos e acionistas, e tarifas cada vez mais altas para a população. E isto, alertou, ficará ainda mais evidente com a privatização.

Ele também denunciou que, além de burlar a Constituição Estadual para impedir uma consulta à população sobre a privatização da Copasa, o governador Romeu Zema excluiu dessa discussão até mesmo seus parceiros e clientes diretos: os municípios.
Redução de isenções fiscais, em vez de reforma administrativa
Sobre a reforma administrativa, João Batista dos Mares Guia, opinou que é uma medida totalmente desnecessária. Uma redução significativa nas isenções fiscais, que favorece mais as empresas transnacionais do que as nacionais, resolveria todas as dificuldades de caixa do setor público. Segundo ele, o Brasil concede cerca de R$ 1 trilhão em isenções. Se em 10 anos reduzi-las a R$ 500 bilhões, o governo terá recursos para reduzir o déficit da Previdência Social e a dívida pública. Com as contas equilibradas, ao invés de diminuir os serviços públicos, o País estará apto a investir ainda mais no setor.
O coordenador do Sitraemg Carlos Cabeça pontuou que a simples menção da palavra “reforma” já traz apreensão aos servidores, porque todas as reformas já ocorridas só trouxeram prejuízos para os trabalhadores e para a população. “A reforma administrativa é altamente danosa”, reforçou a coordenadora Joana D’Arc Guimarães.
“Bola dentro, bola fora”
Na coluna “Bola dentro, bola fora”, o servidor do TRT3 e filiado do sindicato Rubens Goyatá Campante destacou como fato positivo (bola dentro) da semana foi a abertura de investigação sobre autorização ilegal dada pelo hoje senador Sério Moro, quando juiz federal, para filmar uma festa de magistrados com garotas de programa, com o objetivo de chantageá-los posteriormente, caso se colocassem contra a ação penal da Lava Jato. Como “bola fora”, destacou a autorização da ALMG para privatização da Copasa e a censura imposta ao Padre Lancelotti, humanista atuante em favor dos mais pobres, ao proibir a transmissão das missas por ele celebradas, pela internet.
Assessoria de Comunicação
Sitraemg


