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Artigo: “Críticas habituais e constantes sobre aposentadoria do funcionário público federal”

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* Críticas habituais e constantes sobre aposentadoria do funcionário público federal

Por Zózimo Franca Drumond, servidor aposentado do TRE/MG

É antigo, igual a andar para frente. Sempre os funcionários públicos federais aposentados serão atacados como responsáveis pelo quadro negativo por que passa o setor previdenciário no país. É um expediente mais fácil, porque, sendo tais aposentados um universo de minoria, muitos já debilitados mental e fisicamente, não tendo acesso a meio de comunicação de grande alcance, não reagem. Logo, a veiculação do artifício passa por verdadeiro e os que a essa tiveram acesso não se preocupam. A partir daí, procuram as verdadeiras e reais variáveis causadoras do dano, já que se convenceram da informação falsa.

Por exemplo. Antes do poder, o PT “babava” em frente à mídia, criticando as tentativas dos governos anteriores de conseguirem a horrenda “taxação dos inativos”. Em um pronunciamento, nessa oportunidade, o José Genoíno, entrevistado pela imprensa mineira, disse: “…é uma medida perversa, é tirar de quem não deve, é tirar para não resolver o problema”. Mas, nos primeiros meses do mandato, os petistas conseguiram, numa votação a portas fechadas, de madrugada, em Brasília – ali o mensalão começava a engatinhar -, a respectiva aprovação da Emenda nº 41/2003, que nos faz hoje sermos a única classe de aposentados NO MUNDO que se aposenta e continua contribuindo com a previdência.

Um dos argumentos que sempre usaram é de que nós nunca contribuímos, numa deslavada mentira, pois sempre contribuímos com valores maiores do que os dos contribuintes do setor privado. Na época em que a taxa deste setor era de 8% nós contribuíamos com 11%.

Nunca vi qualquer insinuação de governos ou imprensa dando conta de quando serão restituídos à previdência os monumentais valores que dela foram desviados para a construção de Brasília. Da mesma forma, também nunca vi ninguém divulgar porque, em décadas anteriores, imóveis pertencentes à Previdência em, por exemplo, Ipanema (o metro quadrado construído mais caro na época), eram alugados a preços irrisórios, que não se equiparavam ao valor do condomínio respectivo. Nunca vi ninguém mencionar que, se não forem desviadas partes dos recursos destinados à previdência (parcela do empregado, a do empregador, Cofins, loterias e outras), sobraria dinheiro, o que ensejaria a todos os aposentados, tanto do setor privado quanto do público, uma vida mais digna, fazendo com que a aposentadoria fosse um prêmio e não um castigo, a quem contribuiu com o engrandecimento do país e com a manutenção do sistema.

O que vejo é sempre a mesma “ladainha”, que não me afeta, porque tive o privilégio de ter sido esclarecido da real situação, mas que não acontece com a maioria, talvez lhe causando uma sensação de culpa, amargando-lhe os momentos que deveriam ser de paz, para a preparação da última e derradeira etapa de sua vida. Enquanto isso, governos e administradores incompetentes, irresponsáveis e desonestos vão praticando a lei do menor esforço, reforçando a máxima de que “a corda sempre arrebenta na parte mais fraca”. Desta forma, ficam os funcionários públicos federais exercendo uma inevitável função de bodes expiatórios, expostos e  à mercê de uma sociedade que, mal informada por uma imprensa descompromissada, em vez de lutar contra o aviltamento que os governos lhe impõe, também retirando direitos, prefere agir contra nós, condenando-nos no direito que havíamos conseguido, a duras penas, de nos aposentarmos sem perdermos o nosso padrão de vida, o que é mais do que justo a toda classe trabalhadora, independentemente do regime a que estiver sujeita.

* O artigo acima expressa única e exclusivamente a opinião do autor, que é filiado ao SITRAEMG

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