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Chegamos ao segundo turno das eleições.
Agora, mais do que nunca, é hora de diminuir o barulho, deixar de lado as paixões e olhar com atenção para aquilo que realmente está em jogo.
O voto é livre. A decisão é individual. Ninguém deve escolher por nós.
Mas uma escolha livre e consciente exige informação, reflexão e responsabilidade.
Não basta perguntar: “De que lado está o candidato?”
É preciso perguntar:
- Que país ele pretende construir?
- Qual é sua visão sobre o papel do Estado?
- Que importância dá ao serviço público?
- Como pretende tratar a educação, a saúde, a assistência social e os demais direitos da população?
- Qual é seu projeto para os servidores públicos?
- O que pensa sobre terceirização, privatização e sobre a capacidade do Estado de prestar diretamente os serviços essenciais?
Essas perguntas são especialmente importantes para quem vive o serviço público por dentro.
A formiga, a cigarra e o celeiro
Conta uma antiga história que as formigas passaram o ano inteiro trabalhando para construir e abastecer o celeiro da floresta.
Cada uma cumpria sua tarefa. Umas buscavam alimentos. Outras cuidavam dos caminhos. Outras reparavam o celeiro. Todas sabiam que aquele trabalho coletivo era necessário para que a comunidade pudesse atravessar os tempos difíceis.
Um dia, a cigarra perguntou:
— Por que vocês mantêm tantas formigas trabalhando? Não seria mais simples entregar o celeiro para alguém de fora administrar?
A formiga mais velha respondeu:
— Pode ser. Mas, antes de entregar o nosso celeiro, precisamos fazer algumas perguntas.
— Quem ficará responsável por ele?
— Quem vai fiscalizar?
— Quanto vai custar?
— Quem cuidará dele quando não houver lucro?
— E o que acontecerá se aquele que assumir o trabalho decidir não fazê-lo mais?
A cigarra ficou em silêncio.
As formigas então compreenderam que a questão não era simplesmente ser contra ou a favor de contratar alguém.
Era compreender as consequências de entregar a terceiros aquilo que pertence a toda a comunidade.
E o nosso celeiro?
O serviço público também é construído coletivamente.
É resultado do trabalho de milhões de pessoas e dos recursos de toda a sociedade.
Está presente na escola, no hospital, na Justiça, na assistência social e em tantos outros serviços dos quais a população depende diariamente.
Por isso, o segundo turno não deve ser apenas uma disputa de nomes.
É também uma oportunidade para refletirmos sobre qual modelo de Estado queremos para o Brasil.
Não devemos escolher movidos apenas pelo medo, pela raiva, pela propaganda ou pelas redes sociais.
Precisamos comparar propostas, verificar informações, conhecer posições e observar o histórico de cada candidatura.
Precisamos perguntar não apenas o que cada candidato promete, mas também o que suas propostas podem significar na prática.
Porque uma decisão tomada hoje poderá produzir consequências durante anos.
Um voto consciente
Não é papel de uma entidade sindical dizer ao eleitor em quem ele deve votar.
Mas é legítimo — e necessário — defender que todos tenham condições de fazer uma escolha consciente.
Para nós, servidores públicos, existe uma responsabilidade adicional: olhar para além dos interesses imediatos e pensar também na população que depende dos serviços públicos.
O futuro da educação.
O futuro da saúde.
O futuro da Justiça.
O futuro das políticas sociais.
O futuro dos servidores.
O futuro do próprio Estado brasileiro.
Tudo isso merece ser considerado antes de apertarmos a tecla CONFIRMA.
No segundo turno, não precisamos pensar todos da mesma maneira.
Precisamos apenas exercer o direito de escolha com liberdade, consciência e responsabilidade.
Que cada eleitor pesquise.
Que cada eleitor questione.
Que cada eleitor compare.
Que cada eleitor pense nas consequências.
Porque votar não é apenas escolher quem vai governar.
É também escolher, conscientemente, que país queremos construir.
Liana Theodoro Ferreira dos Santos Barreto – coordenadora do Sitraemg, filiada aposentada do TRE-MG


