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Segundo turno: uma escolha que merece reflexão

Liana Theodoro Ferreira dos Santos Barreto, coordenadora do Sitraemg, filiada aposentada do TRE-MG
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Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, não sendo esta necessariamente a opinião da diretoria do Sitraemg.


Chegamos ao segundo turno das eleições.

Agora, mais do que nunca, é hora de diminuir o barulho, deixar de lado as paixões e olhar com atenção para aquilo que realmente está em jogo.

O voto é livre. A decisão é individual. Ninguém deve escolher por nós.

Mas uma escolha livre e consciente exige informação, reflexão e responsabilidade.

Não basta perguntar: “De que lado está o candidato?”

É preciso perguntar:

  • Que país ele pretende construir?
  • Qual é sua visão sobre o papel do Estado?
  • Que importância dá ao serviço público?
  • Como pretende tratar a educação, a saúde, a assistência social e os demais direitos da população?
  • Qual é seu projeto para os servidores públicos?
  • O que pensa sobre terceirização, privatização e sobre a capacidade do Estado de prestar diretamente os serviços essenciais?

Essas perguntas são especialmente importantes para quem vive o serviço público por dentro.

A formiga, a cigarra e o celeiro

Conta uma antiga história que as formigas passaram o ano inteiro trabalhando para construir e abastecer o celeiro da floresta.
Cada uma cumpria sua tarefa. Umas buscavam alimentos. Outras cuidavam dos caminhos. Outras reparavam o celeiro. Todas sabiam que aquele trabalho coletivo era necessário para que a comunidade pudesse atravessar os tempos difíceis.

Um dia, a cigarra perguntou:

— Por que vocês mantêm tantas formigas trabalhando? Não seria mais simples entregar o celeiro para alguém de fora administrar?

A formiga mais velha respondeu:

— Pode ser. Mas, antes de entregar o nosso celeiro, precisamos fazer algumas perguntas.

— Quem ficará responsável por ele?

— Quem vai fiscalizar?

— Quanto vai custar?

— Quem cuidará dele quando não houver lucro?

— E o que acontecerá se aquele que assumir o trabalho decidir não fazê-lo mais?

A cigarra ficou em silêncio.

As formigas então compreenderam que a questão não era simplesmente ser contra ou a favor de contratar alguém.

Era compreender as consequências de entregar a terceiros aquilo que pertence a toda a comunidade.

E o nosso celeiro?

O serviço público também é construído coletivamente.

É resultado do trabalho de milhões de pessoas e dos recursos de toda a sociedade.

Está presente na escola, no hospital, na Justiça, na assistência social e em tantos outros serviços dos quais a população depende diariamente.

Por isso, o segundo turno não deve ser apenas uma disputa de nomes.

É também uma oportunidade para refletirmos sobre qual modelo de Estado queremos para o Brasil.

Não devemos escolher movidos apenas pelo medo, pela raiva, pela propaganda ou pelas redes sociais.

Precisamos comparar propostas, verificar informações, conhecer posições e observar o histórico de cada candidatura.

Precisamos perguntar não apenas o que cada candidato promete, mas também o que suas propostas podem significar na prática.

Porque uma decisão tomada hoje poderá produzir consequências durante anos.

Um voto consciente

Não é papel de uma entidade sindical dizer ao eleitor em quem ele deve votar.

Mas é legítimo — e necessário — defender que todos tenham condições de fazer uma escolha consciente.

Para nós, servidores públicos, existe uma responsabilidade adicional: olhar para além dos interesses imediatos e pensar também na população que depende dos serviços públicos.

O futuro da educação.

O futuro da saúde.

O futuro da Justiça.

O futuro das políticas sociais.

O futuro dos servidores.

O futuro do próprio Estado brasileiro.

Tudo isso merece ser considerado antes de apertarmos a tecla CONFIRMA.

No segundo turno, não precisamos pensar todos da mesma maneira.

Precisamos apenas exercer o direito de escolha com liberdade, consciência e responsabilidade.

Que cada eleitor pesquise.

Que cada eleitor questione.

Que cada eleitor compare.

Que cada eleitor pense nas consequências.

Porque votar não é apenas escolher quem vai governar.

É também escolher, conscientemente, que país queremos construir.

Liana Theodoro Ferreira dos Santos Barreto – coordenadora do Sitraemg, filiada aposentada do TRE-MG

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