Que as pessoas se dispam do preconceito ao se depararem com seus semelhantes que vivem em situação de rua. Um simples cumprimento já faz com que elas se sintam parte da sociedade. “Precisamos mudar esse olhar”.
O apelo foi feito por Maria Cristina Bove, psicóloga, irmã beneditina da Ordem de São Bento, coordenadora da Pastoral Nacional Povo na Rua, que atua no acolhimento de moradores de rua de Belo Horizonte, na edição de quinta-feira, 15 de janeiro, do programa “A voz do servidor”. A atração, produzida pelo Sitraemg, vai ao ar todas as quintas-feiras, das 17 às 18 horas, pela Rádio Autêntica Favela, 106,7 FM, da capital mineira.
O programa, que normalmente é apresentado por um ou mais coordenadores do Sitraemg, desta vez foi conduzido pelo jornalista Gil Carlos, da assessoria de comunicação.

A convidada dessa edição, que nasceu em Montevidéu (Uruguai), falou sobre o desafiante trabalho que realiza junto a esse segmento populacional desde que chegou ao Brasil, há 60 anos. Depois de curta passagem por São Paulo, desembarcou em Belo Horizonte, em 1987, e permanece até hoje. Desde então, viu nascer e se desenvolver a primeira associação de moradores de rua do país voltada para a coleta seletiva e venda de materiais reciclados do lixo: a Asmare. A partir da pastoral que coordena, buscou sempre se aproximar e dialogar com essas pessoas, que por algum desalento (dificuldade financeira, falta de moradia, violência doméstica, preconceito, desemprego, uso de drogas e outros) vão para as ruas, e trilharem juntos o caminho por menos sofrimento e, até mesmo, pela reinserção social.

Parceria com o poder público
Maria Cristina Bove relatou que a pastoral procura atuar com amparo do poder público. Lamentavelmente, segundo ela, faltam políticas públicas estruturantes que possibilitem atender a contento a ampla demanda existente. Segundo levantamento divulgado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas em março de 2025, naquele momento viviam 335 mil pessoas em vias públicas no País. Desse total, 14.500 estavam em Belo Horizonte, que ocupa o terceiro lugar no ranking entre as capitais, mesma posição de Minas Gerais entre os estados, com 33.355 pessoas morando nas ruas.

De acordo com a entrevistada, a atual administração municipal começa finalmente a se movimentar nessa seara. Através do projeto “Moradia em 1º lugar”, a prefeitura de Belo Horizonte promete criar seis unidades para acolhimento de pessoas usuárias de drogas. O governo do estado, que até o momento esteve omisso, sinaliza-se só agora, prometendo criar um comitê de acompanhamento da política de moradores de rua. Já o governo federal, na avaliação de Maria Cristina, apresenta-se “meio tímido” em relação à questão. Ela disse esperar que essa situação melhore com a chegada de Guilherme Boulos à Secretaria-Geral da Presidência, a partir de sua experiência na militância pelos sem-teto.
Dentre outros projetos voltados para a população de rua em Belo Horizonte, como a Asmare e outras sete associações de recicladores de lixo, Maria Cristina Bove destaca também o Pop Limp, que é a elaboração de produtos de limpeza doméstica a partir de resíduos reciclados, trazendo ao mesmo tempo ocupação e geração de renda para os catadores de lixo. Quem se interessar em colaborar com o projeto, adquirindo os produtos, deve se informar melhor pelo telefone (31)98296-7560.
Caravana do Sitraemg e veto a parcelas da recomposição salarial
Em sua coluna política semanal, a coordenadora do Sitraemg Joana D´Arc Guimarães ressaltou a importância da caravana que irá a Brasília no dia 4 de fevereiro para a mobilização pela derrubada do veto às duas últimas parcelas da recomposição salarial da categoria e para que o STF envie o anteprojeto de reestruturação da carreira ao Congresso Nacional. Além disso, alertou os ouvintes a ficarem atentos às notícias falsas (fake news) que são veiculadas pelas redes sociais, como a que sustenta que o governo está tachando as operações feitas por PIX. Ela também lembrou que a última reforma da Previdência, que acabou com a aposentadoria por tempo de contribuição e reduziu os valores das aposentadorias, foi aprovada no governo Bolsonaro, e não no atual, e defendeu investigação a fundo para o rombo do sistema financeiro deixado pelo Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Na coluna “Bola dentro, bola fora”, o filiado Rubens Boyatá Campante, servidor do TRT3, destacou como “bola fora” o veto do presidente Lula à segunda e à terceira parcelas da recomposição salarial dos servidores do PJU, e a ousadia imperialista do presidente dos Estados Unidos, Donald Tramp, ao sequestrar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em pleno território venezuelano, como forma de acuar a população local para explorar livremente o petróleo desse país sul-americano. Como “bola dentro”, o colunista citou a própria resistência às investidas agressivas de Trump, dentro e fora dos Estados Unidos, e a dupla premiação obtida pelo cinema brasileiro, em Los Ângeles (EUA), com o longa-metragem “Agente secreto” levando o Globo de Ouro nas modalidades melhor filme estrangeiro e melhor ator (Wagner Moura).
Assessoria de Comunicação
Sitraemg


