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Encontro Regional Sul de Minas: em palestra sobre o impacto do PJe na saúde, servidores dão exemplos de seus próprios locais de trabalho

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A psicóloga e psicanalista Débora Melo Mansur, coordenadora de saúde e relações de trabalho do SITRAEMG, foi a segunda palestrante do sábado, 18, dando continuidade ao Encontro Regional do Sul de Minas, realizado na cidade de Pouso Alegre. Débora abordou o impacto da implantação do Processo Judicial Eletrônico (PJe) na saúde dos servidores. O tema é tão preocupante para a categoria que, durante a própria palestra, antes do tempo para debate, os participantes faziam perguntas e davam exemplos, tirados de seus próprios locais de trabalho.

Utilizando dados da pesquisa coordenada pelo RS, Débora Mansur mostrou coo o PJe afeta a vida dos servidores (Foto: Janaina Rochido)

Para auxiliar sua explanação, a coordenadora utilizou informações da Pesquisa Geral de Saúde de Servidores do Judiciário Federal, conduzida pelo Sintrajufe-RS, sindicato da categoria no Rio Grande do Sul. A pesquisa foi respondida por 3.744 servidores, 60% do total de trabalhadores, sendo sua maioria servidores da área judiciária de 1º grau, com curso superior, do sexo feminino e moradores de Porto Alegre, capital do estado. Ainda, 56,8% dos pesquisados se encarrega da análise de processos e 41,7% são da Justiça do Trabalho – apesar do PJe já estar presente, em maior ou menor escala, nas outras três justiças também.

Slide a slide, Débora Mansur mostrou que as pausas durante o trabalho, elemento fundamental para evitar dores e outros danos à saúde, ainda não são feitas em nenhum momento por uma porcentagem relativamente alta dos servidores. Ligando isso ao processo eletrônico, a coordenadora deu o exemplo de jogos de videogame: “com o processo eletrônico, fazemos como as crianças ao jogarem videogame, querendo sempre ‘passar mais uma fase’; ficamos no computador pensando que podemos sempre terminar mais um processo e, assim, nos esquecemos de levantar, de tomar água, de ir ao banheiro”.

A coordenadora ainda apontou que as dificuldades levantadas na pesquisa quanto à avaliação do processo eletrônico incluem a impossibilidade de marcar o texto durante a leitura, e que, quanto maior o texto, maiores a monotonia e a dificuldade de concentração. A estas dificuldades, o coordenador executivo José Francisco Rodrigues acrescentou que os tribunais não estão preparando suficientemente os servidores para trabalharem com essa informatização. Os servidores acrescentaram que, além disso, eles ainda passam muito tempo “brigando” com o sistema, que, segundo eles, apresenta problemas frequentemente. E o pior é que, no momento de cobrar os prazos, as chefias não têm levado isso em consideração.

O tema despertou tanto o interesse dos servidores que eles fizeram intervenções durante a palestra mesmo, antes do tempo definido para debate (Foto: Janaina Rochido)

A pesquisa também revelou que os servidores valorizam a estabilidade e o salário proporcionados pelo serviço público, mas se sentem desmotivados pela desvalorização social – revelada pelo senso comum, que diz que servidores públicos são “marajás” e “um peso” para o orçamento público – e pelas metas a cumprir. De acordo com a palestrante, isso mostra que as metas estabelecidas pelo Judiciário são “irreais”, posto que as metas, quando adequadas, desafiam e impulsionam os servidores.

Pressão para não tirar licenças

Uma das questões abordadas pela pesquisa diz respeito à discriminação. Dos servidores que declararam sofrer algum tipo de discriminação, a maior parte (2,6%) disse se sentir discriminada por se afastar para tratamentos de saúde. Os próprios presentes deram vários exemplos que mostram que existe uma pressão, ainda que velada, vinda da administração e por vezes dos próprios colegas, par que eles não se ausentem. “Por mais que gostem do colega, eles [os outros servidores] acabam pressionando porque sabem que, na falta de um, os outros ficam sobrecarregados, e ninguém quer isso”, disse Mansur.

Sintomas oftalmológicos também foram relatados por um alto número de servidores que responderam à pesquisa coordenada pelo Sintrajufe-RS. Dor e ardência, ressecamento, cansaço e visão embaralhada e desfocada foram relatados em porcentagens além dos 35% especialmente entre trabalhadores da Justiça Federal, onde a digitalização já vem de mais tempo – tudo confirmado por servidores da JF presentes ao Encontro em Pouso Alegre. Débora Mansur disse que algo que poderia evitar isso é o uso de somente um monitor, maior, ao invés de dois, com o PJe utiliza, evitando, assim, as diferenças de luminosidade prejudiciais ao olho humano.

Além dos sintomas físicos, os trabalhadores ainda sofrem com os distúrbios psíquicos, como a depressão e a ansiedade – segundo a pesquisa, os Oficiais de Justiça são os mais afetados por elas. A quantidade de tratamentos e medicamentos usados pelos servidores devido a estas moléstias também impressiona: muitos relataram tomar anti-inflamatórios, antidepressivos, ansiolíticos (ou calmantes) e remédios para dormir. Nesse ponto, a palestrante retomou a importância das pausas e dos momentos de relaxamento para evitar essas doenças e produzir com mais qualidade.

Janaina Rochido, de Pouso Alegre/MG

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